Estranhos Prazeres


Dirigido por Kathryn Bigelow, e roteirizado por James Cameron (sim, ele mesmo) e Jay Cocks, Estranhos Prazeres é um filme fascinante em sua primeira metade, quando somos apresentados a idéia de mundo em que a história acontece: graças a um sofisticado aparelho criado para seu usado pela polícia, é possível gravar experiências de uma pessoa, que podem ser assistidas e sentidas por outra pessoa, algo que se torna um produto mais cobiçado que qualquer outra droga.

Ex-policial e agora traficante dessa tecnologia, Lenny Nero recebe uma gravação que dará o tom para a história: uma amiga sua é gravada enquanto morre, e o assassino envia a gravação a ele. Só que a garota estava sendo perseguida por testemunhar um crime realizado por dois policiais. A história nos dias da virada do ano 1999 para 2000.

Infelizmente, depois de apresentados a uma premissa forte, e de maneira fascinante pelo olhar de Kathryn Bigelow, o filme cai em quase todos os clichês imagináveis de filmes policiais, e ao contrário de Minority Report - A Nova Lei, por exemplo, que sobrevive como um ótimo filme mesmo com esse problema, o fato é que Estranhos Prazeres se boicota de forma irreversível, e o pouco que sobrevive a uma reavaliação são as boas idéias que raramente aparecem perto do final (como a última cena entre os dois policiais). Além disso, é curioso que o filme tenha um elenco tão bom, mas não tenha um momento inspirado nesse sentido, desperdiçando atores como Ralph Fiennes, Juliette Lewis, Vincent D'Onofrio entre outros.

Mas se há algo memorável em Estranhos Prazeres é seu aspecto técnico: a fotografia é belíssima, e o farto uso de cores não atrapalha seu aspecto escuro se sombrio (um truque bem difícil de realizar). As sequências que mostram as gravações traficadas pelo protagonista, aliás, representam os melhores momentos do filme, filmadas em planos-sequência extremamente bem realizados e criativos o suficiente para continuarem impressionando.

Pena que o msmo não possa ser dito sobre o filme como um todo.

NOTA: 6,5 

1 comentários:

Anônimo disse...

Resumidamente, o filme Estranhos Prazeres é muito sugestivo e filosófico porque estimula as pessoas a amarem mais, mesmo quando seus amados lhes decepcionam e, porque estimula também a fazermos o que temos chance de fazer, mesmo que isso seja anti-ético e absurdo para outras pessoas. Ora, o que está em jogo é nosso desejo, sempre, e o usufruto deste desejo, que para se realizar e ser desfrutado, depende da destruição alheia. O primeiro caso é representado por Leny, e o segundo por Max. Leny, mesmo traído e abandonado por Faith, àquem amava e com quem havia se comprometido a jamais magoar, continua a amá-la e protegê-la, mesmo em detrimento da própria segurança e tanto, que é por causa deste amor fiél e inabalável que a trama que Max arma para se dar bem é possível. Sem a obssessão de Leny por Faith, e sem a obssessão de Filo pelos clips e por Faith, Max não poderia ter manipulado ambos de modo a fazer com que Leny fosse acusado de assassinato.

Real Time Web Analytics