Enterrado Vivo


Enterrado Vivo é um filme original e eficiente. Basicamente, Ryan Reynolds interpreta o coitado que foi (dãã) enterrado vivo. Com apenas um isqueiro e um celular sem muita bateria, ele tenta escapar da situação. O diretor Rodrigo Cortés trabalha com closes sufocantes e uma belíssima montagem, além de surpreender na criatividade com que explora a limitadíssima locação.

Aliás, os grandes méritos de Enterrado Vivo são dois: a direção de Cortés que fora as qualidades citadas, ainda confere uma verossimilhança admirável a narrativa, como ao reforçar a demora e a dificuldade do personagem quando precisa se virar dentro daquele espaço. E, claro, a excelente atuação de Ryan Reynolds, sujeito que sofre horrores com o preconceito dos cinéfilos graças a suas escolhas bestas na carreira, mesmo que já tenha comprovado seu talento em A Última Cartada e O Número 9, por exemplo. O ator se sai admiravelmente bem ao conduzir o filme praticamente sozinho, e seu desespero e frustração estão sempre visíveis em seus olhos.

O que me traz ao roteiro de Chris Sparling que é absolutamente perfeito no primeiro ato, explorando a situação com inteligência, o que torna a segunda metade do filme mais do que lamentável, quando o roteirista começa a criar situações longas e desnecessárias que podem parecer tentativas de criar alguma complexidade ao personagem e a situação, mas são na verdade encheções brabas de linguiça. Afinal, é realmente necessário saber da condição da mãe do protagonista? Será que sua terrível situação não é o suficiente para provocar empatia? Mas pior do que isso, só o momento com uma conversa gravada com a empresa do protagonista, diálogo tão ruim e forçado que estraga quase todos os méritos que o filme tinha até ali. 

Quanto ao desfecho (sem spoilers) só posso dizer que a jogada usada no final já é bem manjada, e a maneira como é trabalhada é frustrante.E, no final das contas, é uma pena que o filme soe muito mais como uma metáfora sobre a incompetência dos serviços de telefonia do que um estudo de personagem.

NOTA: 7

3 comentários:

Yuri Dias disse...

Adorei "Enterrado Vivo", a direção de Cortés é admirável e achei que o filme explorou bem a situação do personagem, sem dar spoilers o final seria criticado de qualquer maneira, ou feliz ou triste, ambos poderiam cair no lugar comum. O filme me foi uma grata surpresa. Abraços.

Tiago Lipka disse...

Fazendo ainda mais contorcionismos pra não dar spoilers, Yuri... haehehe

Não me importei com o final feliz ou triste, mas com a maneira como chegaram ao final, truque criado (e imitado) desde um certo filme, que se eu comentar vai entregar a batata...

Caetano disse...

Achei o filme eficiente, no máximo. É interessante, proporciona uma experiência sufocante, mas o roteiro é o maior problema. Desde - como você disse - as situações desnecessárias até (e este é o maior problema que vejo no filme) a enorme insensatez do personagem e sua grosseria durante algumas conversas, que são criadas justamente para alongar o filme já limitado por sua premissa.

A desculpa usada para a impaciência do personagem de Reynolds é a sua situação desesperadora, porém isso, ao meu ver, ao invés de conferir realismo, só definha o roteiro, compromete sua verossimilhança e cria um protagonista insuportável (e nós temos que conviver com ele durante 90 minutos, não se pode fazer isso).

Suspense de tensão extrema por suspense de tensão extrema, fico com "Frozen", longa também deste ano.

Bons comentários os seus. Até!

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