Como Treinar o Seu Dragão


Quando foi lançado, Como Treinar o Seu Dragão foi vendido como "o novo filme dos criadores de Shrek e Madagascar". Garanto que a partir de agora, as futuras animações da Dreamworks serão vendidas como "o novo filme dos criadores de Como Treinar o Seu Dragão" já que, não apenas o melhor trabalho do estúdio nessa área, como também é um trabalho corajoso e surpreendente, que apesar dos problemas no início, possui méritos o suficiente para ser um dos grandes destaque do gênero.

O filme conta a história das batalhas em uma ilha entre vikings e dragões pelo olhar de Hiccup (Soluço), um jovem magricelo e desajeitado que sonha em agradar seu pai,  maior caçador da ilha, matando um dragão. Depois de testar uma bazuca, ele descobre que acertou não apenas um dragão, mas o mais lendário deles: o Night-Fury, que de tão raro, jamais foi sequer visto por nenhum outro viking. Mas Hiccup decide soltar o dragão, que não consegue mais voar, e enquanto treina para se tornar um caçador, começa a descobrir, através do Night-Fury, várias características do animal que nunca foram observadas por nenhum outro. 

Depois da abertura arrasadora em meio a um ataque de dragões, o filme fica esquemático, e o primeiro ato decepciona por seguir uma fórmula simplória: Hiccup aprende alguma coisa; usa isso no treino; aprende alguma coisa; usa no treino e assim vai. É só depois que seu pai retorna de uma caçada atrás do ninho dos dragões que a narrativa se acerta. Mas de qualquer forma, o filme é divertido o suficiente para manter o interesse. Visualmente, Como Treinar o Seu Dragão é surpreendente, principalmente na fotografia das cenas. Além disso, alguns enquadramentos são realmente geniais, como o momento em que acompanhamos um navio entrando numa névoa espessa, e logo depois vemos a silhueta de um dragão em contra-luz. 

O roteiro pode não trazer muitas novidades, mas é bem sucedido em trazer uma dramaticidade bem vinda, que se mistura bem ao humor do filme, como a complicada relação entre Hiccup e seu pai, principalmente. Mas é em um acontecimento no final de Como Treinar o seu Dragão que acontece algo inesperado, realista e genial, que o filme realmente mostra sua coragem, fazendo algo que não lembro de nenhuma outra animação ter feito antes. Apesar de não ser algo típico que um filme para crianças tenha, é algo corajoso para estimular um debate mais do que fascinante entre pais e filhos.

E aí está a força deste filme surpreendente.

NOTA: 8,5

2 comentários:

Mateus Selle Denardin disse...

Eu tenho uma paixão imensurável por esse que considero um dos melhores filmes lançados em 2010. Seu texto está ótimo ao captar os principais aspectos do filme -- e fico especialmente feliz ao comentar a fotografia, um aspecto que me deixou fascinado (Roger Deakins foi consultor visual da produção!). A história tem seus momentos esquemáticos, é verdade, mas compensa qualquer problema (eu não vejo nenhum, aliás) com uma perícia técnica de invejar a Pixar (há certa cena dentro de um salão quando Soluço discute com seu pai que, preciso dizer, é de arrepiar tamanha a qualidade da animação dos personagens). Além disso, traz personagens inesquecíveis e aquela que é minha sequência favorita do Cinema em 2010, que dura pouco mais de 4 minutos e termina com Soluço e Banguela se tocando (tudo embalado pela trilha maravilhosa de John Powell). Absolutamente formidável e arrebatador. 10/10

Tiago Lipka disse...

Essa cena é realmente fantástica, mas para mim, o desfecho é a coisa mais FODA desse filme.

Não sabia sobre o Roger Deakins ter sido consultor, mas de repente, ttudo faz sentido. =)

Abraço o/

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