Atração Perigosa


Atração Perigosa poderia ser um filme absolutamente comum caso não tivesse um elenco tão afinado, um roteiro tão preocupado com detalhes e a direção inteligente de Ben Affleck. Prova de que um pouco mais de esforço em filmes de grande estúdio sempre é bem vindo. A história do assaltante que acaba se apaixonando pela gerente do banco que assaltou (e acabou sequestrando, em seguida) não traz grandes novidades, a não ser um cuidado absurdo com a construção dos personagens e suas relações.

Ben Affleck começou a ser ridicularizado pela mídia graças ao seu namoro no começo da década passada com Jennifer Lopez, e sua alta exposição na mídia. Com isso, ficou fácil vê-lo sendo ridicularizado pela sua carreira (que estava realmente péssima na época), mas ficou bem fácil esquecer de seu início, com o roteiro e a ótima atuação em Gênio Indomável. Mas foi na direção que ele realmente surpreendeu, ao realizar Medo da Verdade, uma pequena obra-prima da década passada.

Em comum com seu filme anterior, Atração Perigosa mostra que Affleck tem uma preocupação obsessiva com detalhes que colaborem com a narrativa. Sua atenção não está voltada apenas as cenas de ação: no início de um assalto, sua atenção vai para um garoto que observa, assustado, a aproximação dos bandidos disfarçados, por exemplo. Além disso, é fato que apesar de todas as sequências de ação serem extraordinárias (a perseguição de carro na fuga de uma delas é fabulosa), é bastante óbvio que a atenção do filme está voltada aos diálogos, e aos personagens.

E não é a toa que o filme, portanto, esteja repleto de atuações fabulosas: Jon Hamm faz de seu agente do FBI uma figura fortíssima em cena e Jeremy Renner volta a mostrar seu talento, criando um personagem ameaçador (lembra Ray Liotta em Narc), enquanto Chris Cooper, em apenas uma cena, cria uma figura triste cuja mera existência justifica as dúvidas que seu filho enfrenta, aliás, Ben Affleck provavelmente entrega seu melhor trabalho como ator. Mas o grande destaque vai para Rebecca Hall, que vem se mostrando uma das melhores atrizes de sua geração (como pode ser visto em O Grande Truque e Vicky Cristina Barcelona, por exemplo).

O filme começa anunciando uma característica curiosa da cidade de Boston, que é a de que nenhuma cidade gerou tantos assaltantes a banco quanto qualquer outro lugar, e que essa atividade é passada sempre de geração para geração. Seria perfeito se o filme se aprofundasse mais nisso. Mas seu resultado final parece uma mistura da atenção de Spike Lee para o modus operandi de policiais e sequestradores em O Plano Perfeito com a visão fria e brutal da violência de Martin Scorsese em Os Infiltrados

Fica difícil pedir mais do que isso.

NOTA: 9

1 comentários:

annastesia disse...

Pois é! Parece que Ben Affleck encontrou um resquício de talento no fundo de seu ser. Nunca pensei que fosse utilizar qualquer elogio próximo ao nome dele, mas...gostei do filme. E gostei de Medo da verdade também. Que coisa!

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