Abutres


Abutres é um suspense cuja história é bastante simples, que deixa toda a complexidade para as ações de seus personagens. Sosa é um advogado especialista em indenizações por acidentes de trânsito que acaba se aproximando de Luján, uma para-médica jovem e bem intencionada. Depois de se envolverem rapidamente, a garota descobre que Sosa trabalha com acidentes de carro armados para tirar dinheiros das seguradoras, e com isso, faz parte de uma verdadeira máfia. Depois de convencê-la de que está tentando sair do ramo, Sosa começa a ser perseguido violentamente por seus superiores.

Escrito e dirigido por Pablo Trapero, que realizou os elogiados Nascido e Criado e Leonera (que não assisti), Abutres evita a todo momento usar de qualquer tipo de maniqueísmo ou suspense artificial. O filme é sóbrio e tenso, sem que para isso o diretor precise forçar a mão. Além disso, o romance entre os protagonistas poderia ser um clichê irritante, ou mera desculpa para criar mais drama na história, mas se torna algo fundamental na trama.

Ricardo Darín volta a mostrar seu talento, interpretando Sosa sem qualquer tentativa de fazê-lo parecer um herói. Aliás, são as enormes contradições de seu personagem que fazem o filme ser tão fascinante: afinal, se o seu desejo de fugir dos esquemas que participava soa nobre, por outro lado é curioso que ele tente fugir criando outros esquemas. E Martina Gusman transforma Luján no principal centro dramático da história, brilhando principalmente em como demonstra o enorme cansaço que seu trabalho causa.

Contando com um plano-sequência no desfecho que é uma das melhores cenas desse ano, Abutres é mais uma prova da qualidade assustadora que o cinema argentino vem mostrando, já que junto com O Segredo dos Seus Olhos é, sem dúvida, um dos melhores filmes do ano.

NOTA: 10

3 comentários:

Robson Saldanha disse...

Eu gostei bastante, mas acho que faltou um pouco mais. O roteiro é inteligente e original mas senti que algumas pontas ficaram perdidas... ainda assim, é um filme muito bom. 8,0/10,0

Quéroul disse...

eu amei desesperadamente a Gusman. tanto que eu gostei mais da personagem dela do que a do SUPREMO Darín - o ator mais incrível que eu tenho visto nos últimos tempos.
gostei bastante do filme, apesar de ter sentido que faltou algo que eu não sei precisar. e saí bastante chocada do cinema, de precisar de um tempo pra me recuperar depois.

assisti Leonera nesta semana; achei bem bonito, apesar de não ser exatamente ótimo. gosto muito da Gusman neste filme também. é que no dia tinha assistido a outro filme de prisão (O Profeta), e acho que estava emocionalmente esgotada, hehehe. mas é um bom filme sim, assista quando puder.

Tiago, boas festas pra você, viu.
Seu blog foi uma das ótimas descobertas neste ano! Prossigo te lendo em 2011.
;)

annastesia disse...

O cinema argentino está realmente dando um banho. Gosto muito desse Carancho. E aquele final, hein? Uma porrada (oops!).

Real Time Web Analytics