Scott Pilgrim Contra o Mundo


Edgar Wright já havia me impressionado com duas comédias absolutamente perfeitas, Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, mas eu realmente não estava preparado para a obra-prima que ele realizou em Scott Pilgrim Contra o Mundo. Baseado numa história em quadrinhos da qual eu não sei nada (nem se já foi lançada, por exemplo), o filme mistura o visual de HQ, com videogames de 16 Bits, e qualquer um que tenha jogado Super Nintendo babará desde a logo da Universal no início.

Scott Pilgrim (Michael Cera, ótimo como sempre) é um jovem baixista de uma banda de Toronto que se apaixona por uma americana recém chegada na cidade, Ramona Flowers. Só que o relacionamento dos dois mal começa quando ele descobre que... deverá derrotar a Liga dos 7 Ex-Namorados de Ramona. Sim, a história é absurda, mas o diferencial é a maneira inusitada e divertidíssima com que é levada pelo filme.

Contando com um visual alucinante e a melhor trilha sonora que já ouvi desde Quase Famosos e Alta Fidelidade (cortesia de Nigel Godrich, produtor do Radiohead), Scott Pilgrim tem triunfos técnicos tão impressionantes que será uma injustiça tremenda se o filme não for indicado no mínimo ao Oscar de Montagem e Fotografia (cortesia do veterano Bill Pope). 

E por falar em Oscar, os atores: sou fã de Michael Cera desde Superbad, e apesar de a crítica realmente não ver aparentemente nada nele, considero-o carismático e dono de um timing cômico inusitadíssimo, e ele não decepciona aqui, enquanto Mary Elizabeth Winstead faz uma versão mais jovem (e tão sedutora quanto a) de Kate Winslet em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. E se os tais ex-namorados se saem muito bem, incluindo o normalmente fraquinho Brandon Routh, Jason Shwartzmann diverte (e provavelmente, se diverte) como o grande vilão da história. 

Mas, como eu disse, Oscar: Kieran Culkin como o melhor amigo gay de Scott Pilgrim praticamente rouba o filme para si em todas as cenas em que aparece: é o ator que melhor consegue interpretar junto com os artifícios absurdos de cena, que incluem onomatopéias, setas ou ruídos visuais que acompanham os acordes de baixo de Pilgrim, e eu realmente acredito que Culkin mereça uma indicação por Melhor Ator Coadjuvante.

Mas depois de tanto elogiar a parte técnica, a música e o absurdo da história, talvez eu esteja injustiçando Scott Pilgrim Contra o Mundo já que o filme ainda é mais do que isso: é um romance moderno que, mesmo não exatamente original no significado, certamente o é na abordagem. 

E que no meio de socos, K.O.'s e Combos o público ainda se importe com o destino do romance dos personagens no final é prova do mérito deste que é uma das obras mais originais e impressionantes dos últimos anos.

E apesar do fraco desempenho nas bilheterias, não tenham dúvidas de que é um filme que vai deixar uma forte marca na nova geração.

NOTA: 10

1 comentários:

annastesia disse...

Cool! Yeah! Awesome! KPow!Level up! ...and stuff! Deu pra perceber que adorei(Mega)Scott Pilgrim?

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