Os Outros Caras


Nesta nova parceria entre Adam McKay e Will Ferrell, os dois certamente tentaram criar um filme mais relevante do que os ótimos O Âncora e Ricky Bobby - A Toda Velocidade. Em parte erraram, já que Os Outros Caras sofre de "crise de personalidade", mudando completamente o tom da história a cada 10 minutos sem qualquer boa justificativa. Por outro lado, conseguiram fazer mais uma comédia com piadas acima da média.

O filme começa satirizando (de maneira perfeita, diga-se de passagem) todos os excessos de filmes policiais, numa cena de perseguição bem filmada, entre bandidos e os policiais interpretados por Dwayne Johnson (que não é mais The Rock) e Samuel L. Jackson. Depois de vários carros e locais destruídos pela ação, descobrimos que os bandidos portavam menos de 100 gramas de maconha, o que não importa a ninguém, já que os policiais são considerados heróis, ao contrário dos outros caras, interpretador por Will Ferrell e Mark Wahlberg. Mas logo depois que os heróis saem de cena (numa das piadas mais surreais e inacreditáveis dos últimos tempos), os dois enxergam sua oportunidade para ocupar o lugar deles.

O filme acaba mudando quando os dois começam uma investigação sobre as ações de um milionário (interpretado pelo sempre genial Steve Coogan), e o segundo ato abaixa um pouco o nível, que só volta a melhorar no último ato. Não que o segundo ato seja problemático, mas suas melhores piadas acabam não tendo função alguma na história, como as esposas dos protagonistas, por exemplo.

Will Ferrell está bem, engraçado mas bem mais sutil do que seus trabalhos anteriores, deixando todo o destaque para Mark Wahlberg que surpreende com um timing cômico impagável que eu certamente desconhecia (apesar de considerá-lo um bom ator). Além deles, Michael Keaton acaba ganhando destaque da metade para o final e realiza algumas cenas muito boas.

Apesar de um desfecho um pouco forçado no sentido temático, o fato é que Os Outros Caras acaba se revelando uma surpresa inesperada nesse sentido: a moral da história, por exemplo, me pegou de surpresa e me deixou muito mais satisfeito com todo o conteúdo do filme que, por mais que tente, infelizmente, não escapa de ser apenas uma comédia bem-sucedida. Se tivesse sido um pouco mais pensado, quem sabe não seria uma pequena obra-prima?

NOTA: 8

6 comentários:

João Marcos Flores disse...

Cara, achei o filme muito ruim!

Sei lá, talvez eu escrevea sobre ele, mas estou sem nenhuma vontade :\ haha

Tiago Lipka disse...

Cara.. vc tem um problema sério com comédia, vai? Fala ae... hahahaha =P

João Marcos Flores disse...

Pior que não tenho não! Gosto de muita coisa, só acho que a maioria delas hoje em dia não me empolga.

O problema de Os Outros Caras pra mim é abrir mão de qualquer coerência em prol de tantar fazer rir. E eu não falo das situações absurdas não (como a morte dos personagens de Jackson e Hohnson ou a gag envolvendo a arma de madeira, que considero boas sacadas), mas do desenvolvimento imbecil dos relacionamentos (nem vou falar da babaquice envolvendo o casal Ferrell-Mendes, mas, por exemplo, por que raios o personagem de Wahlberg insiste tanto em colocar seu parceiro (que tanto odeia) em seus planos de se tornar o novo herói da coorporação?

Sei lá, soa tudo falso demais, apesar de alguns bons momentos.

João Marcos Flores disse...

Mal pelos erros de digitação, mas acho que dá pra entender, haha ;P

João Marcos Flores disse...

Ah, e por falar em eu não gostar de comédias, tu leste minha crítica de Scott Pilgrim? ;)

Tiago Lipka disse...

"mas, por exemplo, por que raios o personagem de Wahlberg insiste tanto em colocar seu parceiro (que tanto odeia) em seus planos de se tornar o novo herói da coorporação?"

Porque é uma sátira, filho! Hahahaha... e, na minha opinião uma sátira muito boa sobre essa velha história da dupla de tiras que se odeia, mas no fundo se amam. Entre esses dois é puro ódio.

Entendo seu lado, mas eu acho que o forte desse tipo de trabalho é usar do humor para explorar esse tipo de absurdo que o cinema nos enche a tanto tempo: por isso adorei também o momento em que os personagens de Ferrell e Wahlberg acabam ficando imóveis depois de uma explosão que ocorre perto deles. Ao fazer com que os dois tenham uma reação mais realista do que normalmente é visto, e usando o monólogo desesperado de Ferrell, praticamente cai um mito de vá lá quantos trilhões de filmes vivem usando.

Acho que é mais por aí...

E vi sim sua crítica sobre Scott Pilgrim. Se desse uma estrela a menos, eu dava um jeito de hackear e deletava teu blog. huHUehaehuaeha...

Abraço.

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