O Último Mestre do Ar


Quando você está trabalhando num roteiro que envolve reinos do Fogo e da Água, tá aí duas coisas que você não deve fazer: número um, não deixe que os personagens se surpreendam toda vez que a água apaga o fogo e número dois: não fazer com que o principal conflito do filme seja uma divindade histórica que, sem saber como derrotar navios no oceano do reino de Fogo, precise de ajuda divina para pensar em... usar a água do oceano! Pois bem, isso acontece em O Último Mestre do Ar, baseado no desenho animado que nunca tive interesse de ver.

Escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, ao menos o filme tem momentos inspirados, ao contrário de suas duas últimas bombas: A Dama na Água e Fim dos Tempos. Os planos-sequência que mostram diversos personagens usando seu poder são bem realizados, e a fotografia do filme é muito boa. 

As atuações estão praticamente todas constrangedoras, principalmente Dev Patel, que mais uma vez desobedece a norma principal de Trovão Tropical: "Never play a full retard". O garoto que interpreta o Avatar é até carismático, mas é sabotado pela completa falta de interesse do filme em estabelecer alguma simpatia do público para com os personagens. O que é importante aqui, aparentemente, é estabelecer toda uma mitologia complexa, tanto que o filme não fica 2 minutos sem alguém dando um monólogo importante.

O triste é saber que no meio de tanta complexidade, tenha tantos personagens se surpreendendo com o fato de que água apaga fogo...

NOTA: 1


PS: Em várias críticas positivas do filme, encontrei um argumento que me incomodou muito: "o público não entendeu porque Shyamalan tem uma sensibilidade européia...". 


Meu... me desculpa, mas como eterno admirador do cinema europeu, vão tomar no cu, né? Tão me zoando?

1 comentários:

Mariana Oliveira disse...

Também foi o que mais me incomodou no filme. Tudo parecia novo de mais para um mundo onde pessoas que controlam os elementos é natural. Outra coisa, até achei "bonita" toda a coreografia para a "dobra dos elementos" (no desenho, cada movimento para a dobra era baseado em alguma luta de artes marciais, como karate, may tai e etc), mas sério, me dava agonia ver o avatar "dançando" e os caras dobradores de fogo só olhando. No desenho isso não acontece, as lutas são sim coreografadas, mas em hipótese alguma são lentas. Tirando isso, achei que foi bem adaptado para o cinema, pois o desenho tem muita história paralela que não precisa existir num longa. Mas senti falta das piadas do Socka... Não dava pra rir no filme e mesmo sabendo que é uma adaptação, fez muita falta, pois o desenho é bem engraçado apesar da história "profunda" do Avatar X Senhor do Fogo. Fazer o que né?

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