O Profeta


(Antes de mais nada, o público brasileiro talvez não se impressione tanto com O Profeta já que a prisão vista no filme parece um hotel de luxo se compararmos com imagens de Ônibus 174 ou O Prisioneiro da Grade de Ferro. Mas considere a seguinte fala do ótimo A Última Noite quando assistir o filme: "Eu estive em cinco diferentes prisões, em cinco diferentes países e sabe o que eu aprendi? Prisão é um lugar ruim de ficar".)

O Profeta acompanha a jornada de Malik, um jovem analfabeto em uma prisão. Aparentemente inofensivo (e inocente, inclusive), o jovem logo é pressionado pela máfia italiana que domina a prisão para assassinar um outro preso, em troca de proteção. O asassinato e sua preparação tomam conta de todo o primeiro ato do filme, que mais do que um simples "filme de cadeia", se mostrará um estudo de personagem poderoso, demonstrando perfeitamente como a cadeia serve muito mais como uma "Faculdade do Crime" do que uma instituição que recupera criminosos.

Sim, Malik utiliza seu tempo na cadeia para aprender a ler, a falar outros idiomas e até aprender sobre outras culturas. Mas tudo isso para se destacar (e, principalmente, sobreviver) no meio em que está. Interpretado de maneira soberba pelo estreante Tahar Rahin, o arco dramático do personagem é mais do que fascinante: é absolutamente impossível desviarmos a atenção e nosso olhar de Malik, tamanha a força de sua trajetória, que de maneira absolutamente irônica, ainda se encerra de maneira cinematograficamente satisfatória, quando na verdade esconde uma ironia dramática poderosa.

Contando ainda com elementos curiosos, como um personagem que surge de maneira sempre surreal com o corpo em chamas, por exemplo, O Profeta é um filme extremamente forte em tom e forma. E no meio de uma história tão violenta e complexa, quantos filmes ousariam dar tanta atenção ao fato do personagem ver o mar pela primeira vez, e de maneira tão singela e orgânica?

NOTA: 10

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