A Epidemia


Tenho uma tendência de, às vezes, gostar de filmes muito mais pelo que eles tentaram ser, do que pelos seus méritos. E tenho absoluta certeza de que gostei muito deste A Epidemia por acreditar que o roteiro de Scott Kosar (de O Operário) buscou ao máximo uma dramaticidade rara em "filmes de zumbi", e que o diretor Breck Eisner, sabendo disso, fez o máximo para fazer de A Epidemia uma experiência muito diferente de Madrugada dos Mortos ou Extermínio, por exemplo.

Remake de O Exército do Extermínio do mestre George Romero, A Epidemia mostra o xerife de uma cidade que depois de estranhos incidentes na pequena cidade onde mora, começa a desconfiar que algo terrível pode estar acontecendo ali. Infelizmente, antes que ele descubra ou possa fazer alguma coisa, um exército invade a cidade e começa a prender todos, procurando exterminar os contaminados pelo vírus que apareceu ali depois de um acidente de avião.

Sem exibir os mesmos "cacoetes" de outras produções similares, A Epidemia é um filme até lento para os padrões do gênero. E se você pensar que isso pode ser um problema, pense de novo: é justamente  o ritmo pausado que contribui para a construção de cenas realmente horripilantes, como o zumbi que entra sozinho numa sala repleta de pacientes, matando-os um a um.  O clima é muito mais de melancolia e tristeza pela pequena cidade destruída misturado com o horror do que qualquer outra coisa. 

Trabalhando sempre com planos abertos, o Eisner cria uma atmosfera inquietante de que algo terrível pode acontecer a qualquer segundo, e a violência pode não ser extravagente (como seria de se esperar), mas a intensidade dos ataques é paupável e bem trabalhada pela montagem. E, aliás, há pequenos momentos que contribuem imensamente para acreditarmos no que está acontecendo, como a risada sutil seguida de um pequeno desabafo por um personagem logo depois que o carro deles explode, deixando-os a mercê do exército e dos zumbis.

Contando também com uma trilha sonora evocativa (o início com a versão de Johnny Cash para We'll Meet Again é perfeito), A Epidemia infelizmente se torna bastante previsível e comum em seus momentos finais, com sustos banais e cenas de ação que havia conseguido muito bem ficar sem antes. Mas apesar disso, se destaca como uma opção diferenciada e bem feita, mas que provavelmente não agradará a todos os fãs do gênero.

NOTA: 8

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