The Brown Bunny


Este polêmico filme de Vincent Gallo foi acusado de muita coisa. Aliás, o próprio Vincent Gallo acabou acusado de egocentrismo pela tão discutida cena em que recebe um boquete (não sexo oral, boquete mesmo) numa cena explícita da atriz (e namorada, na época) Chloe Sevigny. Até acharia a cena discutível, caso não fizesse sentido com o resto do filme. Mas faz. E muito.

The Brown Bunny não é um filme fácil. É lento, indigesto. Tão intimista, que quase repele. Parece ter a levada de um filme de Jim Jarmusch, como Flores Partidas com a sinceridade de John Cassavetes. Trata-se de um retrato de um ego ferido por um relacionamento que deu errado. É uma dor masculina, feia e miserável. E Vincent Gallo, que produziu, escreveu, dirigiu, montou e protagonizou o filme sabe o que está fazendo. 

Caso o filme fosse realmente egocêntrico, dúvido que o autor pintaria um retrato tão horroroso de si mesmo. Logo na primeira cena, ele demonstra uma enorme carência afetiva ao convidar uma garota para viajar com ele, simplesmente por ter recebido um pouco de atenção. Em outro momento, ao trocar olhares com uma mulher, começa a acaricia-la sem trocar uma só palavra, numa cena irreal, estranha, mas que funciona perfeitamente na lógica da trama

Aliás, a trama é básica. O protagonista, Bud Clay, é um piloto de motocross que depois de correr em uma pista, deve viajar para a Califórnia para a próxima corrida. O filme o acompanha na viagem, enquanto descobrimos seu passado com Daisy (Chloe Sevigny), sua ex-namorada, cujo fim do relacionamento o jogou num abismo emocional.

A cena chave de The Brown Bunny é o momento em que Bud visita a mãe de sua ex, e o momento em que pergunta sobre o coelho que Daisy cuidava, e que se encontra ainda vivo, na gaiola. É óbvia a identificação do protagonista com o animal (como o título do filme diz): assim como o coelho, Bud se encontra preso, aguardando sem notícias o retorno de sua amada. E, portanto, a cena seguinte em que ele vai para um veterinário perguntar quantos anos um coelho pode viver possui uma ironia dramática terrível.

Que só é superada pelo desfecho da obra, um verdadeiro soco no estômago, que transforma um filme inteligente e frio numa pequena obra-prima a ser apreciada.

NOTA: 10

1 comentários:

Quéroul disse...

meu problema maior na vida é não baixar filme, porque eu quero ver este desde que lançou, nunca achei e nunca baixei.

passou da hora já, né?
;)

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