Tropa de Elite 2


Considero Tropa de Elite não apenas um dos melhores filmes nacionais da década passada, como um dos mais importantes mundialmente falando dos últimos tempos, e minha enorme paixão pela obra jamais permitiu que eu gostasse da idéia de uma continuação, já que o desfecho absolutamente perfeito do filme fechava um arco dramático de maneira corajosa e digna de aplausos.

De qualquer forma, Tropa de Elite 2 é eficiente e serve bem em seu propósito de se aprofundar ainda mais na corrupção e violência que cerca a vida profissional do capitão Nascimento. Aqui, o personagem comanda uma ação desastrosa no presídio de Bangu I, que culmina na morte de diversos presos. Criticado pela mídia, Nascimento vira um herói da população (afinal "traficante bom é traficante morto"), e ele é convidado pelo governador do Rio de Janeiro a assumir um bom cargo na Secretaria de Segurança, de onde começa a reforçar o BOPE. Mas as ações cada vez mais eficientes do Esquadrão acabam culminando no nascimento de milícias lideradas por PM's. E Nascimento deverá enfrentar isso, ao mesmo tempo em que vê seu filho se distanciando cada vez mais dele.

Novamente interpretado por Wagner Moura, o capitão Nascimento mais uma vez se mostra um personagem absolutamente fabuloso e fascinante, sempre surpreendendo seja pela inteligência ou pela brutalidade de suas ações, e Moura mais uma vez faz um trabalho fantástico em sua interpretação. É uma pena que nessa continuação não apareça mais nenhum personagem tão bom quanto os do primeiro filme, e o que talvez chegue mais perto disso é o apresentador de TV a lá Ratinho e deputado, mas sua interpretação é tão exagerada que acaba se estragando. Além disso, alguns arcos dramáticos são extremamente decepcionantes, principalmente o do capitão Fábio, que parece estar lá só para agradar ao ator do primeiro filme, á que seu personagem não faz absolutamente nada de relevante para a trama, a não ser reclamar que está sendo desrespeitado.

Além disso, há diversos momentos que destoam completamente da lógica da trama, como o momento em que Matias faz a tortura do saco na cabeça do traficante: a maneira como a cena acontece chega a trazer um humor inconsciente e desnecessário (estragando uma cena com um desfecho fortíssimo). Mas todos os problemas de Tropa de Elite 2 desaparecem a partir do momento em que um personagem importantíssimo da trama morre, e as consequências do ato começam a ser sentidas por toda a trama, que começa a se encaixar de maneira brutal e eficiente, finalmente digna do primeiro filme.

Contando com uma parte técnica fabulosa (o jogo de futebol de crianças que é interrompido por um helicóptero é um momento fantástico), José Padilha novamente enche o filme de energia, mesmo que isso as vezes não combine com o que está acontecendo. Mas vale dizer que se no primeiro filme o diretor parecia inspirado no tipo de cinema realizado por Paul Greengrass, por exemplo, aqui há vários elementos "Scorsesianos" que impressionam muito (desde a introdução, que tem um toque de Cassino). 

Contando também com um desfecho fortíssimo que certamente irá gerar muita discussão na saída do cinema, Tropa de Elite 2 não tem o poder de fogo do primeiro filme, mas está longe de ser dispensável, e mantém o nome de Padilha como um diretor a ser muito respeitado no cinema nacional.

NOTA: 8,5

PS: Se Costa Gavras deu o prêmio de Melhor Filme para Tropa de Elite em Veneza, aqui ele é homenageado de maneira singela, com os cartazes de seus filmes em uma cena, pelo diretor José Padilha. Bacana.

1 comentários:

annastesia disse...

Padilha me enche de orgulho e prova que é possível fazer cinema de verdade nesse país.

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