Chico Xavier


Cinebiografia do popular médium, que é bem realizada, mesmo que um pouco desonesta. Não há nada no filme que questione a menor possibilidade de Chico Xavier não ter sido um médium de verdade. De acordo com a obra de Daniel Filho, espíritos existem, e o Chico os via e os psicografava e é isso aí, e não tem mais nem menos. Isso é uma decepção para quem não conhece a figura e nem sua obra (eu aqui!), e a legenda que surge no início sobre não haver como contar a vida inteira de um homem em um filme (mentira), surge quase como um pedido de desculpas por incompetência, nesse sentido.

Mas, justiça seja feita, o filme não é um desastre. Há momentos muito bons no filme, principalmente os que mostram os bastidores do programa em que Chico Xavier é entrevistado. Há atuações muito acima da média também, principalmente de Tony Ramos, que tem a melhor cena do filme, em seu discurso no julgamento, e de Giovana Antonelli, que faz de sua rápida participação, uma presença marcante.

Além disso, Daniel Filho tem alguns rompantes de criatividade dignos de nota, principalmente a primeira cena em que Chico psicografa, quando depois de um travelling, a câmera faz um contra-plongee do personagem e o telhado da casa "se abre". Infelizmente, estes momentos são raríssimos no filme.

Por outro lado, há atuações completamente esquisitas, como as de Pedro Paulo Rangel, que interpreta um padre quase como se estivesse num filme de Guel Arraes, e principalmente, André Dias, que transforma o espírito guia de Chico, Emanuel num personagem que lembra Gavin Rossdale em Constantine, onde interpreta um... demônio...

Mas de qualquer maneira o filme consegue se equilibrar. O problema é o final desonesto em que, na falta de um clímax emocional na história de Chico Xavier, é contornado com a história de um casal, que é resolvida com excesso de melodrama. 

Mas... também, né? E eu tava esperando o que de um filme do Daniel Filho?

NOTA: 4

1 comentários:

Luiz Santiago disse...

Olá, caro.

Em primeiro lugar, parabéns pelo blog.

Navegando, encontrei sua página, e me deparei com seu texto sobre o filme do Daniel Filho. Faço coro a você em boa parte do que escreveu. Apenas não concordo com o fato de você te cobrado uma contestação (mesmo não sendo espírita, eu não esperava uma contestação numa cinebiografia do tal homem).

Outra coisa que humildemente discordo de você, é o fato de você dar a entender que é possível sim tratar uma vida em um filme. Claro que tivemos exemplos estupendamente maravilhosos, mesmo assim, incompletos (cito "Chaplin" e "Gandhi" - um dos meus preferidos - do Richard Attenborough)...

É isso.

Luiz

CINEBULIÇÃO: www.cinebuli.blogspot.com

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