Simplesmente Feliz


Poppy é uma trintona, professora de primário em uma escola de Londres. Vivendo em um pequeno apartamento com uma amiga da época da faculdade, se trata de uma mulher de gênio forte: aparentemente nada é capaz de abatê-la. Sua bicicleta pode ser roubada, sua irmã pode questionar o fato de ela não ter uma família (e nem ter planos de formar uma) ou o instrutor da auto-escola pode fazer os comentários mais grosseiros. A resposta dela será bem humorada, e provavelmente virá seguido de uma gargalhada.

O que Simplesmente Feliz tem de mais impressionante é que Poppy jamais parece uma personagem irreal ou forçada. Contando com uma atuação iluminada de Sally Hawkins (que deveria ter vencido o Oscar), a protagonista do filme tem a mesma lógica de O Acompanhante que usava a educação como "uma resposta para o caos", só que aqui é a felicidade no lugar da educação. Capaz de transformar qualquer conversa comum em um momento divertido, o filme funciona de maneira simples, sem jamais forçar a barra, deixando a protagonista solta para fazer rir. 

Dirigido por Mike Leigh, dos sensacionais Segredos e Mentiras e O Segredo de Vera Drake, o filme segue a risca a principal característica do diretor, que é beneficiar os atores e só. Não há enquadramentos rebuscados, apenas os enquadramentos certos para que as atuações possam ser apreciadas.

E claro que por ser um filme de Leigh há uma forte temática por trás do filme, que se apresenta nas cenas entre Poppy e seu instrutor da auto escola, que surge como a completa antítese da protagonista: mal humorado, paranóico e com sérios problemas em se relacionar com qualquer pessoa (e interpretado por Eddie Marsan, também passa longe de uma caricatura), os diálogos entre os dois servem como discussões curiosas (quase filosóficas) sobre a vida.

Afinal, o mundo é uma zona. Mas vale enfrentar isso reclamando ou dando risadas?

Pode parecer simplista, mas pense um pouco.

NOTA: 10

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