Viagem a Darjeeling


Viagem a Darjeeling fala sobre família e espiritualidade. Dirigido com a criatividade habitual de Wes Anderson, trata-se de um filme com sérios problemas de ritmo e não muito bem sucedido na tentativa de mesclar drama e comédia (principalmente se compararmos com Os Excêntricos Tenembauns, do mesmo diretor), mas quando consegue deixa uma marca profunda no espectador.

No filme, Adrien Brody, Owen Wilson e Jason Shwartzmann interpretam três irmãos que depois de um ano sem se falarem, se reencontram num trem na Índia, onde o irmão mais velho (Wilson) resolve criar uma jornada espiritual para que os três se tornem irmãos mais próximos, como eram antes. É claro que é um filme de Wes Anderson e isso envolve bizarrices como eles se embebedarem com xaropes para tosse, comprarem cobras venenosas e coisas do tipo. Mas se o roteiro falha tecnicamente, ao menos acerta no desenvolvimento dos personagens, principalmente ao estabelecer a curiosa relação entre eles.

Mas o grande destaque é a direção de arte do filme, e o trem onde boa parte da história se passa é um destaque a parte, repleto de pinturas a mão e de detalhes que merecem aplausos. Além disso, a fotografia é também bem sucedida ao conseguir criar movimentos de câmera complicados em espaços apertados e de filmagem complicadíssima.

Mas é no último ato do filme, com a morte de um certo personagem que o filme realmente se encontra, criando uma sequência de dez minutos absolutamente perfeita e silenciosa, cuja temática espiritual se encontra de forma equilibrada e sublime. É um momento absolutamente genial, em que mesmo que aconteça tão pouco, é difícil não prender o fôlego de emoção. 

E mesmo que esta cena surja como um clímax antes da hora, o que torna o final um pouco arrastado, fato é que se fosse diferente transformaria o filme numa jornada banal. E por mais que possa parecer de início, a jornada dos três irmãos acaba sendo tudo, menos banal.

NOTA: 8

2 comentários:

pseudo-autor disse...

Não é o meu preferido do Anderson, mas o elenco conseguiu conquistar a minha atenção. Aliás, de lá pra cá o Adrien Brody tem se envolvido numas produções que Deus me livre!

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

annastesia disse...

Gostei mais do que espereva. Anderson continua seguindo firme e me deixando feliz. Admito que gostei mais desse do que de Life aquatic (principalmente com aquelas versões horrendas de Seu Jorge para as canções de Bowie).

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