A Origem


Imagine que David Lynch fosse convidado para dirigir um filme de assalto com roteiro de Charlie Kaufman. É mais ou menos essa salada bizarra que Christopher Nolan realizou neste excelente A Origem. Dono de uma carreira invejável (da qual, só não vi Following, sua estréia), Nolan foge do típico caso de diretores que, ao serem cada vez mais consagrados, finalmente lançam uma bomba intragável (um caso recente é David Fincher e seu O Curioso Caso de Benjamin Button). Aliás, pelo contrário: seus filmes ficam cada vez maiores, mas a qualidade vem subindo junto. Fato raríssimo.

Dito isso, A Origem mostra um grupo de assaltantes especializados em roubar idéias específicas, através de um complexo trabalho realizado no consciente da vítima. Depois de um golpe mal-sucedido, eles recebem uma proposta para realizar um trabalho inverso. Ou seja, inserir uma idéia específica. Falar mais do que isso sobre a história é muita sacanagem para quem não viu, então parei aqui.

Basta dizer que o filme consegue fazer essa birutice parecer completamente plausível, demonstrando uma lógica interna no roteiro impecável. Além disso, o mais surpreendente é que A Origem seja uma história completamente linear e coes, considerando que ela se passa em diferentes níveis de realidade e sonhos dentro de sonhos.

Além disso, Nolan que já havia surpreendido com cenas de ação inusitadas (como a queda do caminhão em Batman - O Cavaleiro das Trevas), cria perseguições de carro no nível de Operação França. Mas o mais impressionante são as cenas em gravidade zero, que me deixaram de queixo caído. Os efeitos especiais são brilhantes de um modo geral por jamais chamarem atenção demais para si, sempre servindo a história que está sendo contada.

O elenco também é responsável por boa parte do que o filme tem de bom, mas vale destacar Leonardo DiCaprio que realmente está tendo um ano fabuloso, contando com Ilha do Medo. Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy e Cillian Murphy também realizam atuações marcantes, mesmo com menos tempo em tela. (E só pra fazer uma justiça: Tom Berenger conseguiu estar num dos melhores filmes do ano, assim como em um dos piores...)

No geral, A Origem é um filme realmente impressionante e que ao brincar de gêneros, certamente eleva o nível da brincadeira. Vai ser difícil ver um filme de espionagem e não exigir um pouco mais. Se James Bond se acertou com Cassino Royale para competir com Bourne, agora tem uma tarefa ainda mais complicada...

NOTA: 10

PS: A Origem certamente é um dos melhores do ano, mas ainda considero O Grande Truque e Amnésia os melhores do cineasta. E vocês?

5 comentários:

Expectador disse...

Ainda prefiro O Grande Truque e The Dark Knight, mas é um ótimo filme sim.

Mari disse...

Texto excelente, não discordo de absolutamente nada. O filme é sensacional.
Mas O Grande Truque ainda é o melhor... =)

Marconi disse...

Fiquei impressionado com a qualidade técnica e artística do filme. Coloco este no mesmo nível de "O grande truque".
http://cinespaco.blogspot.com/

Lomyne disse...

Como eu já disse, amei A Origem e já publiquei a errata que te prometi, viu?

Aliás, nesse final de semana eu assisti A Ilha do Medo e achei foda, inclusive achei que os dois filmes tem várias coisas em comum...

Btw, tenho ido ao cinema toda segunda, vi Aprendiz de Feiticeiro ontem (post daqui a pouco).

annastesia disse...

Christopher Nolan acende minhas esperanças no futuro do cinema. Vejo que apaixonados pela 7a arte e pelo que fazem ainda existem e nos proporcionam grandes filmes como A origem.

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