O Sal da Terra


Recentemente, comentei que ao assistir O Livro de Eli, me incomodei com o conteúdo repleto de cristianismo, onde deveria haver espaço para outras religiões, e o classifiquei como um filme de ação beato. E para contrariar quem adoraria dizer que estou perseguindo filmes com temáticas religiosas, acabei adorando este O Sal da Terra, filme de Eloi Pires, que não apenas é um diretor do meu estado, como também vizinho de bairro (mesmo que eu não o conheça pessoalmente, só para constar). 

Trata-se de um road-movie simples, sobre um padre que faz uma Igreja sobre rodas, rezando missas para caminhoneiros, e sua ligação com Romeu, um caminhoneiro cada vez mais frustrado com seu trabalho, e um andarilho, que se ligará a história dos dois no decorrer da história. A melhor sacada de O Sal da Terra é o seu protagonista, Padre Miguel. 

No início, quando ele é convidado por uma mulher para rezar pela morte de uma prostituta, tive a impressão de que o filme estava apelando para uma cena messiânica e desnecessária, mas fui surpreendido pelo roteiro, pela forma como o padre aborda a situação, utilizando uma tragédia pessoal para ilustrar a situação, algo que torna a cena eficiente. E em outro momento, depois de um acontecimento terrível, ao consolar um companheiro, o padre logo solta um versículo da Bíblia, mas logo, com um sorriso discreto muda de assunto, entendendo que naquele momento o caminhoneiro precisa muito mais de um amigo do que de um padre. 

E são nestas sutilezas que O Sal da Terra se diferencia. Ainda há diversos detalhes que contribuem para a verossimilhança da história, como os motoristas que dão sinais de luz para prevenir um caminhoneiro, entre outros momentos. O filme só escorrega em alguns momentos, como o flashback que mostra o padre Miguel contando a idéia da Igreja para o bispo, ou o diálogo no restaurante sobre o menino engraxate. Mas no geral, O Sal da Terra é um filme belíssimo e bem feito. 

NOTA: 8,5

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