O Golpista do Ano


Alguns filmes saem exatamente quando deveriam. Brüno pode ter sido criticado por todos os lados, mas disse coisas importantes na época certa, assim como este ótimo O Golpista do Ano, guardado pelas distribuidoras para ser lançado junto com a Parada Gay em São Paulo, numa decisão até que interessante, diga-se de passagem. Só é lamentável que título original I Love You Phillip Morris tenha sido deixado de lado, perdendo uma piada inspiradíssima que já vinha no nome.

O tal do "golpista do ano" é Steve Russell (Jim Carrey) um policial religioso e com uma família "perfeita", que esconde sua sexualidade. Depois de um acidente, decide sair do armário e aproveitar a vida. Infelizmente, isso acaba incluindo aplicar golpes financeiros geniais, mas inconsequentes, levando Steven várias vezes a prisão.

Mas é na prisão que Steven conhece Phillip Morris (Ewan McGregor), um rapaz ingênuo e tão carente que desperta um forte sentimento em Steven, que começa a aplicar ainda mais golpes para tirá-los da prisão e viverem felizes para sempre.

Comédia de humor negro repleto de momentos escatológicos e grosseiros (e divertidos), O Golpista do Ano acerta no roteiro ao estabelecer a dinâmica de Steven e as pessoas a seu redor, como sua ex-esposa vivida por Leslie Mann, e seu ex-namorado, Rodrigo Santoro (na sua melhor atuação internacional). E poucas vezes vi a sexualidade do seu protagonista ser mostrada de forma tão direta e engraçada.

Jim Carrey tem uma excelente atuação no filme, principalmente quando podemos observá-lo enquanto seus golpes não dão muito certo (como no tribunal, quando conversa com um juiz e outro advogado). Mas o destaque mesmo é Ewan McGregor, que faz mais um trabalho fenomenal, e tem demonstrado uma melhora bastante considerável (e olhem que sempre admirei o ator). 

Lidando de forma direta com temas difíceis, como a homofobia e até AIDS, O Golpista do Ano falha só no ato final, quando ao inserir situações muito mais dramáticas do que o público espera, acaba causando um estranhamento no início, mesmo que funcione depois.

Mas pensando bem: ver que todo o público que estava fazendo comentários do tipo "que viadinho" e dando risadinhas fora de hora acabou chorando naquele momento? Não tem preço.

NOTA: 8,5

2 comentários:

Ibertson Medeiros disse...

Fiquei com vontade de ver esse filme.
Parece ser bem divertido e com um algo mais a contar.

Marconi disse...

O filme de fato tem momentos muito inspirados. Vale a pena.
http://cinespaco.blogspot.com/

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