Elefante


Vou usar este argumento pela primeira e única vez na vida: Elefante é chato, e é importante que ele seja. É extremamente importante para a visão artística de Gus Van Sant sobre a tragédia de Columbine que o tédio da vida daqueles adolescentes seja sentido também pelo público. Disparado, o melhor filme do diretor, Elefante é uma experiência cinematográfica extraordinária, e repleta de inteligência. 

O filme basicamente acompanha alguns alunos em longas caminhadas pelos corredores da escola: o garoto e seu pai alcoólatra; as garotas bulimicas; o casal que pode estar esperando um nenê; a jovem desengonçada e ridicularizada pelos colegas. Nenhuma novidade, a não ser que ,naquele dia, dois alunos entrarão armados pelas portas e vão disparar tiros a esmo. Gus Van Sant não tenta explicar o inexplicável: deixa que a tragédia fale por si. O que mais se ouviu na época foi que a culpa de tudo seria de videogames violentos, Marilyn Manson e outros. Isso está tudo no filme, mas exposto de maneira obviamente irônica. A grande tragédia é a facilidade com a qual os dois rapazes conseguem armas de fogo. 

O diretor disse que o título faz referência a uma parábola sobre cinco cegos que recebem a tarefa de tocar um elefante: cada um deles descreve o mesmo objeto de maneira completamente diferente, e isso faz todo o sentido. Mas, na minha opinião, a gíria "an elephant in the room" também se encaixa bem: um problema gigante e óbvio, que parece quase ridículo quando apontado. 

Obra-prima. 

NOTA: 10

1 comentários:

Gabriela disse...

Que resenha do caralho. Eu adoro esse filme, é uma experiência fantástica.

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