Confissões de uma Garota de Programa


Steven Soderbergh merece muito respeito por mesmo depois de se consagrar como um grande diretor norte-americano, jamais ter deixado de experimentar como um diretor independente, como mostrou em Solaris, Bubble, ou até errando feio, como no péssimo Full Frontal.

Confissões de uma Garota de Programa segue esse mesmo estilo. É silencioso, mais preocupado em entrar no íntimo dos personagens do que em ser esteticamente bonito. O problema é que Soderbergh parte de um princípio fascinante para justificar a história, mas o filme demora demais a conquistar o público, a ponto de eu só realmente sentir algo pela protagonista no final, depois de alguns bocejos.

O filme é interessante ao trabalhar com a crise econômica nos Estados Unidos de maneira direta e cheia de cinismo. Acompanhamos Chelsea, uma garota de programa que oferece o "Girlfriend Experience" para o cliente, ou seja, acompanha o cliente a qualquer lugar e oferece conversas e companhia além do sexo. São nos diálogos que se percebe que os clientes tem medo da crise, falam de cortes de gastos, de diminuir os investimentos e de quantos empregados terão que demitir - enquanto pagam 2000 dólares por hora para ficar com Chelsea.

Interpretada pela atriz de filmes adultos Sasha Grey (linda e surpreendente em cena), Chelsea é realmente uma personagem fascinante, mas parece que o roteiro não acredita muito nisso. Mas é sua ligação com os clientes que é realmente interessante, e quando o filme se concentra em sua vida pessoal é que ocorrem os bocejos. Fato lamentável, para um filme tão inteligente.

NOTA: 6

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