O Caçador


Assim como o fabuloso O Hospedeiro, este O Caçador, filme de estréia do coreano Hong-jin Na, consegue ser drama, comédia, suspense e terror, sem seguir qualquer ordem, tornando-se uma experiência cinematográfica extremamente original. Porém, ao final de O Caçador, a sensação é a de um enorme peso nas costas, tamanha a intensidade da pesadíssima história.

Joong-ho é um ex-policial que se tornou cafetão. Durante uma semana em que duas de suas garotas sumiram, ele descobre que ambas foram atender a mesma pessoa e pior: sua melhor garota de programa está atendendo ele naquele exato momento. Desconfiado que o tal cliente esteja vendendo as garotas, Joong-ho pede para que ela envie uma mensagem com o endereço da casa dele. Logo, porém, a garota percebe que o perigo que está correndo é bem maior do que o imaginado.

Em apenas 30 minutos de filme, O Caçador consegue ser tudo que filmes como Jogos Mortais ou Cativeiro tentam e jamais conseguem ser: criando uma situação terrível em que uma garota é torturada por um psicopata assustador (que só posso comparar ao John Doe de Se7en), o filme funciona dramaticamente de maneira perfeita, surpreendendo sempre também pela maneira intensa, realista e rápida em que as situações se resolvem. A violência é sempre retratada de maneira direta, sem jamais parecer atraente de maneira alguma, e o confronto físico entre dois personagens no final é prova disso: a luta soa cansativa e violenta como poucas.

Assim como Império dos Sonhos de David Lynch, O Caçador traz uma mensagem forte e agressiva sobre a violência contra a mulher, no caso, como a própria burocracia policial e a situação social torna as garotas de programa em alvos fáceis de violência, e ao mesmo tempo em que admiro a mensagem e como o diretor a passa, por outro lado é fato que no início do terceiro ato ele força a barra (de maneira que não posso revelar, mas você vai saber do que estou falando) para resolver a história. Mesmo assim, O Caçador é um filme original como poucos, e certamente uma das estréias mais promissoras de um diretor nos últimos tempos.

NOTA: 9

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