Alice no País das Maravilhas (2010)


Cansei de Tim Burton. Pronto, falei. E digo isso com tristeza: a obra do diretor marcou minha infância (Edward Mãos de Tesoura), minha adolescência (Marte Ataca! e Ed Wood) e eu gosto da maioria de suas obras. Mas...

Enquanto assisti este Alice no País das Maravilhas, quando eu via aquelas árvores com galhos retorcidos, eu me perguntava: "de novo?"; quando eu vi Johnny Depp e Helena Bonham Carter, eu me perguntei "de novo?" e por aí vai. Depois do decepcionante Sweeney Todd, Burton atacou e estragou a obra de Lewis Carrol apenas para fazer o que anda achando uma boa idéia: reciclar um filme e colocar um selo "de Tim Burton". Ou refilmar O Planeta dos Macacos, Sweeney Todd e A Fantástica Fábrica de Chocolates é original?

(PS: Peixe Grande e A Noiva Cadáver surgem como tristes excessões.)

O filme mostra Alice voltando ao País das Maravilhas com 17 anos de idade. Acreditando que toda sua experiência no lugar foi apenas um sonho, ela encontra o local devastado pela tirania da Rainha Vermelha. Auxiliada pelo Chapeleiro Maluco, ela então deve procurar a espada para derrotar o... Parando aqui mesmo. Sim. Tim Burton transformou a fábula mais original, que fugia de todo estereótipo e arquétipo num... filme de ação.

Sim, o visual é lindo, blablabla mas e daí? Posso ter criticado Avatar pelo roteiro e seus diálogos medíocres, mas ao menos a história funcionava e o filme jamais se tornava chato, algo que aqui acontece graças ao roteiro esquemático e episódico, e que em alguns momentos, mais parece o roteiro para um jogo de video-game (Alice precisa da espada / Alice vai até o castelo / Alice descobre que a espada está com o cachorro / Alice acha algo do cachorro / Alice dá isso ao cachorro / Alice pega a espada). 

Além disso, o roteiro consegue a proeza de transformar Alice numa personagem boba e desinteressante, piorando ainda mais o envolvimento do público com a sua jornada (e de nada adianta culpar a atuação de Mia Wasikowska).

Johnny Depp está bem, mas precisa urgentemente parar de trabalhar com Tim Burton. Helena Bonham Carter então, precisa até pedir o divórcio: é fato que desde que casou com o diretor ela não fez absolutamente mais nada que lembrasse a promissora atriz que ela se mostrou em Asas do Amor e Clube da Luta.

E Tim Burton? Se for pra fazer coisas assim, vire pintor de vez e pronto.

NOTA: 3

6 comentários:

Quéroul disse...

fui esperando nada desse filme. aliás, esperava uma azia e a confirmação que cansei de vez de Burton e Depp.
acho que a expectativa era tão nula que no fim... AMEI! amei desesperadamente, posso dizer.
e pra piorar esse amor, até da Bonhan Carter eu gostei - e eu odeio essa mulher.

o Chapeleiro do Depp me lembrou Willy Wonka em vários momentos, mas tudo bem, vá.
e eu gostei muito da menina que fez a Alice.

sei lá, contra todos os prognósticos, amei o filme. a ponto até de ele ter tirado minha birra da dupla, sobretudo depois de Sweeney Todd (que eu nem vi, mas morria de desgosto só de ouvir de longe).

Marconi disse...

o filme deixa uma coisa de que poderia ser um pouco mais... nas verdade, bastante mais!...
parece que burton não sabe o quanto é talentoso... mas valeu o ingresso.
http://cinespaco.blogspot.com/

M.F. disse...

Gostei da resenha, concordo com mts coisas. Outras não tanto, rs. Eu gosto das refilmagens do Burton. Acho que ele dá uma visão sua das coisas - obviamente sombria e bizarra - e acaba inevitavelmente criando algo novo. Achei isso de Sweeney Todd e Fantástica Fábrica também... Embora prefira Corpse Bride que considero mais "inteiramente original".

Quanto às árvores retorcidas e ao elenco, é complicado falar... Até que ponto essas marcas fazem parte do estilo dele e quando passam a ser repetitivas? Não sei, talvez seja uma questão de opinião. Eu simplesmente adoro a junção Depp-Carter-Burton e acho que os 3 trabalham muito bem juntos. Mas acredito que a Helena tenha realmente ficado muito presa, passando a fazer SÓ esses papéis de uns tempos pra cá. E Depp, na minha opinião, tá começando a ficar com vício nos trejeitos-estranhos dos seus personagens. Mas... Ainda assim, acho que funciona bem. Poucos outros autores conseguiriam captar a mente insana do Burton quanto esses dois, eu acredito.

Infelizmente, apesar de ser muito fã (como já deu pra perceber, rs), eu odiei Alice. Achei o roteiro fraquíssimo e uma completa decepção. Mas acredito que o problema tenha sido mais o lado Disney do que o lado Burton. Seja como for, decepcionou bastante. Especialmente pra quem leu os livros.

Ritter Fan disse...

É, vi que você foi mais severo do que eu nessa crítica. Faz parte. Tim Burton realmente parece querer pegar tudo quanto é filme e colocar no molde pré-estabelecido que ele criou e não quer nem saber de largar. No entanto, ainda achei o visual bom demais para dar uma nota tão baixa mas, claro, respeito completamente sua opinião. A estória é realmente bem fraquinha, especialmente aquele final tirado literalmente do chapéu... Fiz comentários em meu blog também: http://metidoacritico.blogspot.com/

annastesia disse...

Tim Burton me decepcionou. Esperava muito mais. Visualmente é excelente, mas muito arrastado e com muitos altos e baixos.

Grisel Islas disse...

Oh, como a verdade bom! porque Johnny Depp interpretou o personagem chapeleiro muito bem louco! Ele merece a fazê-lo novamente!

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