Zona Verde


Quando fui assistir Zona Verde tinha a óbvia expectativa de que o filme lembrasse os dois últimos capítulos da saga de Jason Bourne, já que é do mesmo diretor, Paul Greengrass e com o mesmo protagonista, Matt Damon. Mas para minha surpresa, o filme está muito mais para os dois melhores do diretor (Domingo Sangrento e Vôo United 93) do que para a saga do espião: Zona Verde não só funciona de forma brilhante como filme de ação, como também pode ser visto como o mais corajoso já feito sobre a guerra no Iraque.

Muitos podem achar que o roteiro de Brian Helgeland falha na construção dos personagens, mas eu vi isso de outra forma: o roteirista (e o diretor) priorizam o aspecto político da situação e não a história de seus personagens. Portanto, ao mesmo tempo em que somos colocados ao lado do tentente Miller em sua busca pela verdade, o filme quer nos mostrar as consequências de sua decisão, enquanto no pano de fundo se revela também um épico sobre a invasão americana no Iraque, e portanto não é a toa que a primeira cena do longa seja uma brilhante reconstrução do primeiro bombardeio noturno em Bagdá (que estabelecerá uma rima visual inteligentíssima no terceiro ato). 

Greengrass mais uma vez se revela um diretor inspirado, e mantém uma tensão constante durante todo o filme. Acertando na maneira como filma as cenas, desde a atenção para a estratégia dos soldados para aniquilar um sniper, quanto nas cenas de diálogos, o diretor ainda encontra tempo para realizar comentários cínicos como ao mostrar um verdadeiro resort turístico onde era o palácio de Saddam Hussein, quanto ao usar a imagem de George W. Bush num momento dramaticamente perfeito, quando o ex-presidente se torna a causa de uma piada de péssimo gosto.

Mas talvez o mais importante de Zona Verde seja a maneira explícita de como o filme mostra o exército e o governo americano como os verdadeiros vilões da história, assim como responsabilize diretamente a mídia por apoiar as decisões de seu país sem averiguar nenhum fato. E em um de seus diálogos mais geniais, um personagem afirma que o governo americano só entrou na guerra porque foi informado errôneamente quando ouve a resposta triste e verdadeira: "seu Governo queria acreditar nessa mentira".

Contando uma história complexa de maneira simples e direta, Zona Verde junto com o fantástico Guerra ao Terror é o melhor filme sobre a guerra no Iraque lançado nos últimos anos, mas também um filme de ação genial que vai agradar também a quem está interessado em explosões e outros artefatos do gênero, mesmo que seu desfecho se revele um pouco mais "feliz" do que o adequado.

NOTA: 9

2 comentários:

JapaLoko disse...

"Guerra ao Terror" não me cativou. Por mais que falem bem, parece propaganda americana. É uma pena que tenha levado o Oscar, reflexo claro que que americanos serão sempre americanos e ponto final. Os filmes americanos sobre a guerra, para mim, exaltam a guerra em si, e não seus resultados. Pretendo ver esse do Matt Damon, mas sem nenhuma pretensão realmente, filmes de guerra batem nas mesmas teclas e não chegam em lugar nenhum além da auto-exaltação.

Tiago Lipka disse...

Guerra ao Terror é um filme de guerra apolítico. Não tem qualquer opinião sobre quem está certo ou errado: é um estudo de personagem sobre um homem cuja tragédia é se viciar na adrenalina da batalha, e isso por si é um tema fascinante, e acusar isso de patriotismo ou de exaltar a guerra no mínimo, faz eu me perguntar se nós assistimos o mesmo filme...

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