A Última Noite (2003)


Monty Brogan (Edward Norton) é um traficante que acaba sendo pego pela polícia, e é condenado a sete anos de prisão. Em seu último dia de liberdade, em meio a desconfiança de que sua namorada o entregou, ele se reúne com seu pai, e seus dois amigos de infância para se preparar para sua ida para o inferno, uma prisão super-lotada com 200 homens por cela e beliches nos ginásios para preencher o excedente.

Em uma cena, seus dois amigos conversam sobre o destino de Monty, enquanto os destroços do World Trade Center servem de fundo. Quando um deles comenta que não acredita que o amigo será preso, o outro rapidamente responde que o ama como um irmão, mas ele merece; que apesar de Monty ser seu amigo, ele ganhou a vida com a desgraça de outros.

Primeiro longa-metragem filmado em Nova York após a tragédia do 11 de setembro, A Última Noite poderia muito bem deixar de lado este fato, mas Spike Lee encara a tragédia de frente: seja nos créditos ao mostrar luzes representando as Torres Gêmeas de maneira fantasmagórica ou na bela criação dramática de seu protagonista, que remete diretamente ao sentimento de desilusão que o ataque terrorista despertou nos norte-americanos. 

E em meio ao belíssimo roteiro de David Benioff (que se perdeu completamente depois deste filme), ainda há momentos brilhantes, como o fabuloso monólogo de Monty em frente ao espelho, cena que não só comprova o talento notável de Edward Norton, que mais uma vez realiza um trabalho extraordinário, como também se destaca como uma das grandes cenas já filmadas por Spike Lee, o que não é pouco para um diretor com obras como Faça a Coisa Certa ou Malcolm X, por exemplo.

Contando ainda com um desfecho absurdamente poderoso, A Última Noite também se destaca pelas performances de todo o elenco, principalmente o subestimado Barry Pepper, que faz o personagem mais complexo da trama e Brian Cox, que em suas poucas cenas, exibe todo o carinho de um pai pelo filho, incluindo ainda um terrível sentimento de culpa pela tragédia do filho. Filme notável e perfeito, que foi ignorado pela crítica na época de seu lançamento, principalmente por evocar demais o 11 de setembro. Curiosamente, é isso que está fazendo o filme envelhecer tão bem.

NOTA: 10

3 comentários:

Knight Marcos disse...

Sobre Filmes e Cigarros mas onde estão os comentários sobre cigarros? rs.

Abraços

pseudo-autor disse...

Só vi os 20 minutos iniciais desse filme (por culpa da TNT que só o programa em horários madrugada adentro). Preciso assisti-lo de uma vez por todas. Você é a terceira pessoa que fala maravilhosamente bem desse filme!

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Anônimo disse...

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