Sede de Sangue


Dirigido por Chan-Wook Park, Sede de Sangue é o filme de vampiros mais original que eu já vi. Embora utilize algumas das regras do gênero, como o fato de eles não poderem se expôr ao sol e se alimentarem de sangue (dã-ã), o roteiro do diretor cria uma situação dramática perfeita para a história, além de enxergar a maldição romantizada do mito com um olhar muito mais cínico e perturbador do que estamos acostumados. 

Kang-ho Song (de O Hospedeiro) interpreta o padre que depois de anos trabalhando num hospital, se oferece como voluntário para o teste como uma doença. Não apenas ele é o único sobrevivente do teste, como também começa a sentir uma necessidade compulsiva, não apenas de sangue, mas de todos os instintos comuns aos homens, como o sexo. Ao voltar para a sua cidade, ele começa a ser ajudado por uma estranha família que o conhecia na infância e... dizer mais que isso é sacanagem.

Vou aproveitar esta ocasião para confessar que não sou fã do diretor, e acho Oldboy um filme péssimo, mas devo dizer que seu trabalho aqui é impecável: equilibrando drama e humor de uma maneira que parece incômoda, mas depois se mostra perfeita, o diretor faz um excelente trabalho ao estabelecer a lógica visual da trama: quando conhecemos o protagonista no hospital, a câmera está quase sempre estática, e somado as cores do ambiente, salienta a melancolia do personagem de maneira sutil, só para aos poucos usar movimentos de câmera ousados e uma violência forte e gráfica (e a estratégia de montar a casa para simular a luz do dia é, no mínimo, genial).

Mas o melhor de Sede de Sangue é a relação entre o padre e a garota que se apaixona por ele: unidos pelo sexo e pela violência do ato (que com um vampiro, obviamente inclui mordidas), aos poucos a natureza da relação muda para a insanidade e o caos, e a imortalidade dos vampiros se mostra uma maldição terrível e nada romântica. Aliás, tematicamente o filme se mostra ainda mais impressionante, não apenas por usar um padre como protagonista, mas também ao questionar a diferença entre o martírio e o suicídio de maneira bastante madura.

Contando com um desfecho melancólico e dramaticamente perfeito, Sede de Sangue é um filme extremamente original, e como ainda não assisti Deixe Ela Entrar não posso ter a completa certeza de que é o melhor filme de vampiros dos últimos tempos. Mas que é o mais original e inusitado, isso posso, com toda a certeza.

NOTA: 9

2 comentários:

João Marcos Flores disse...

Eu realmente gostaria de ler seus argumentos pra não gostar de Oldboy :\

Tiago Lipka disse...

Putz... pra escrever sobre Oldboy, eu teria que assistir de novo. Posso até fazer num momento masoquista.

Só digo que acho a trama do filme uma das coisas mais idiotas e exageradas (que finalzinho...) que já vi.

Só gosto da parte técnica mesmo.

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