Retratos de uma Obsessão


Retratos de uma Obsessão pertence a uma fase interessantíssima na carreira de Robin Williams, junto com Insônia e o ótimo Violação de Privacidade: quando o ator fez filmes e personagens que, provavelmente, jamais associaríamos com a sua imagem. Primeiro longa-metragem do diretor Mark Romanek (mais conhecido pelo belíssimo clipe de Hurt de Johnny Cash), o filme é o mais fraco desta fase de Williams, mas está longe de ser banal.

O filme conta a história de Seymour Parrish, atendente de uma loja onde também revelam fotos. Aos poucos, descobrimos que Seymour não é apenas completamente obcecado por seu trabalho, mas também em uma família que ele acompanhou pelo passar dos anos, chegando a se imaginar como um membro dela. E conforme ele descobre que a vida perfeita que ele acompanhou nas fotos, na verdade está longe de ser perfeita, é quando as coisas começam a dar errado...

Talvez o principal problema do filme seja a maneira nada sutil de como o personagem é apresentado: desde a primeira vez que o vimos, imaginamos onde a história vai dar, algo que se torna problemático quando percebemos que não devíamos ser capazes de prever certas coisas (principalmente sobre uma outra garota que acaba levando as fotos para revelar...). O que o filme acerta é no seu visual incômodo, repleto de branco, claridade e vazio, e se no início o filme surpreende ao mostrar a parede repleta de fotos de Seymour, ao final quando vemos o outro lado da sala, o filme mais uma vez se revela muito mais inteligente do que o esperado.

Contando ainda com uma atuação brilhante de Williams, Retratos de uma Obsessão é um filme muito mais interessante do que bom, realmente, mas vale lembrar antes de que acusemos o ator de "se vender" ou "ter perdido o talento" que ele tentou. De verdade.

NOTA: 7

1 comentários:

Quéroul disse...

lembro que gostei e achei bonito.
assisti algo como o making of do filme, e aí achei bacana a questão das cores do filme, sempre em tons pastéis.
no fundo acho bem triste...

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