Os Fantasmas de Scrooge


Quando realizou o excelente Happy Feet, George Miller intencionalmente ou não, acabou dando o melhor argumento já dito contra o Motion Capture (técnica utilizada nos últimos três filmes de Robert Zemeckis) ao surpreender o público misturando seus personagens e cenários tridimensionais com cenas em live-action: ou seja, porque criar em computador o que se pode obter sem qualquer dificuldade? E querendo ou não, por melhor que seja a tecnologia, fato é que O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf sofrem principalmente pela inexpressividade de seus personagens, que numa época onde a Pixar consegue fazer um robô tão cheio de emoções como Wall-E, chega a ser vergonhosa.

E este é o mesmo problema deste Os Fantasmas de Scrooge, que apesar de ocasionalmente divertido (pura e simplesmente por causa de Jim Carrey), consegue a proeza de parecer o bacana (e idiota) Minhas Adoráveis Ex-Namoradas parecer uma obra-prima em comparação. Zemeckis está muito mais interessado em fazer a câmera atravessar qualquer coisa do que em realmente contar a história e, portanto, não chega a ser surpresa que a cena mais inspirada visualmente seja a mais desnecessária do filme (só digo que inclui uma perseguição).

Além de incluir algumas cenas extremamente WTF (como o Fantasma do Natal Presente que é Jesus????), e contando com boas atuações de Gary Oldman e Jim Carrey, enquanto desperdiça os talentos de Robin Wright Penn e Colin Firth, Os Fantasmas de Scrooge falha até mesmo em sua premissa: se devíamos testemunhar uma mudança gradual de Scrooge para que este se "salvasse", é no mínimo curioso que logo na primeira cena do primeiro fantasma o personagem já pareça ter aprendido a lição. E tudo que vem depois só se arraste cada vez mais.

NOTA: 4

PS: Quem foi o idiota que traduziu o título para Os Fantasmas de Scrooge em vez de Um Conto de Natal?

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