O Tesouro de Sierra Madre


Dirigido pelo aclamado e genial John Huston, O Tesouro de Sierra Madre é um filme brilhante, mas que dá um tiro no próprio pé: o sub-texto do filme, que envolve esquizofrênia é o que há de mais genial na história, e portanto, o fato do roteiro tratar isso como apenas um sub-texto é uma certa decepção. Mas isso não estraga em nada as surpresas deste filme grandioso e surpreendente.

O filme conta a história de Dobbs e Curtin, dois americanos que mendigam numa pequena cidade do México. Depois de serem enganados em um serviço, os dois conhecem um velho garimpeiro, e decidem partir com ele para um lugar hinóspito afim de procurarem ouro. Não demora, porém, para que a ganância e o isolamento afetarem Dobbs psicologicamente, tornando-o paranóico e uma ameaça para os outros dois.

Humphrey Bogart tem uma de suas melhores atuações como Dobbs, retratando a crescente paranóia de seu personagem de maneira brutal, e sem medo de parecer exagerado (algo que se torna fundamental para o terceiro ato da história), enquanto Tim Holt empresta dignidade para Curtin, deixando o espectador facilmente do seu lado. Já Walter Huston empresta uma curiosa dubiedade para seu personagem, investindo numa atuação quase cômica, embora jamais nos deixe pensar que ele não é o mais competente e preparado para a situação.

John Huston demonstra sua invejável segurança na direção, mostrando de forma competente os preparativos para a busca do ouro. Além disso, poucos diretores na época sabiam movimentar a câmera de maneira tão elegante, como na belíssima cena em que Walter Huston salva um garoto índio, e na desfecho da cena, o diretor surpreende ao mostrar a quantidade de pessoas que estavam ao redor da situação.

Além disso, a trama paralela envolvendo um personagem que aparece junto ao trio querendo explorar ouro junto deles, é o grande momento do filme, conduzido de maneira absolutamente genial. Só lamento o fato de que a constante paranóia de Dobbs acabe se revelando apenas pontual, já que ela surge de maneira simples (com o personagem falando sozinho) e mesmo se tornando um dos pontos chaves para a trama, ela seja deixada de lado no conflito com os forasteiros, por exemplo. Mas é um pecadilho perante o conjunto da obra. 

NOTA: 8,5

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