O Passageiro - Profissão Repórter


Clássico incontestável do cinema, que conta a história de David Locke, um jornalista que durante uma viagem a África faz amizade com outro conterrâneo, que acaba tendo um enfarte e morrendo. Locke decide assumir a identidade do falecido e se declara morto, mas logo começa a ser perseguido pelos antigos amigos que desejam saber as circunstâncias de sua morte e pelos que sabem a identidade do falecido: um traficante de armas que ajudava guerrilhas na África.

Michelangelo Antonioni fez um filme intrigante, silencioso e contemplativo. Deixa que as imagens falem muito mais do que qualquer diálogo. O início, mostrando Locke no meio da África tentando em vão buscar algum tipo de comunicação é brilhante. E o que dizer da maneira genial em que o cineasta mostra a troca de identidade dos personagens nos quartos de hotel, misturando flashbacks e uma fita gravada?

Enquanto isso, Jack Nicholson realiza o que é uma das grandes atuações de sua carreira, uma atuação contida e complexa que complemente de maneira genial a já brilhante construção de seu personagem no roteiro. E se Maria Schneider traz leveza e graciosidade para a trama, Jenny Runacre faz um trabalho soberbo como a ex-mulher de Locke, que depois de sua "morte", começa a sentir a necessidade de terminar o documentário do marido, reconstruindo sua figura (e consequentemente, reconstruindo o próprio passado).

Contando com um desfecho melancólico que inclui um dos planos-sequência mais celebrados de todos os tempos, O Passageiro - Profissão Repórter é uma obra-prima obrigatória para fãs de cinema, e sintetiza com perfeição o estilo de Antonioni: um diretor que dizia muito, falando muito pouco.

NOTA: 10

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