MASH


Quem acompanha o blog a algum tempo já deve ter notado que eu sou um baita fã de comédias, e tenho a plena certeza de que este é o gênero menos apreciado em premiações e pela crítica em geral, o que acho lamentável. Pra mim, é inexplicável que porcarias como Babel ou Abraços Partidos ganhem atenção, enquanto Faça o que eu Digo, Não Faça o que eu Faço ou Tá Rindo do Que? passem praticamente batidos, mesmo tendo infinitos méritos a mais, mas nomes "cults" de menos.

Já escrevi aqui sobre algumas de minhas comédias favoritas, como A Vida de Brian ou Superbad - É Hoje. Mas se um dia me perguntassem "Qual a comédia mais importante da história?", eu não pensaria duas vezes antes de falar MASH, filme anarquista e genial, do igualmente anarquista e genial Robert Altman, MASH talvez seja uma das mais poderosas obras anti-guerra de todos os tempos, algo mais do que surpreendente para uma comédia.

MASH conta o dia a dia de uma unidade de saúde do exército americano em meio a Guerra da Coréia, mostrando suas preocupações diárias: procurar bons lugares para jogar golf, ensinar um jovem local a servir bebidas (ao invés de catequizá-lo), montar um bom time de futebol americano e... sim! MASH é um filme de guerra que (com perdão do vocabulário) está cagando e andando pra guerra. A mensagem mais óbvia é clara: ninguém está interessado nas batalhas, isso é problema de governos, e portanto, ninguém está ali por patriotismo. Todas foram obrigados a estarem ali, e ninguém vai impedi-los de procurarem por diversão (como maneira de seguirem suas vidas normalmente).
Mas se isso não fosse suficientemente inteligente, o filme jamais se esquiva de assuntos controversos: em meio a uma era de repressão sexual, intelectual e tudo mais, Altman não deixa de manifestar o racismo de um dos protagonistas, ou a clara ignorância do dentista que acredita que "virou" homossexual. Além disso, em meio as divertidas piadas, se encontram tiradas impecáveis: quando os médicos começam a tratar de um rapaz que é prisioneiro de guerra, eles são repreendidos por uma enfermeira que afirma que eles estão deixando de cuidar dos soldados por ele, quando ouve a resposta genial "Você também é uma prisioneira de guerra, mas não sabe disso"; e em outro momento, quando uma garota diz que não entende como um "pervertido, desbocado e imbecil" poderia ter sido levado para a Guerra num cargo tão importante, a resposta é simples, divertida e melancólica: "Sendo convocado".

Utilizando seu dom único de mostrar várias ações em cena no mesmo enquadramento, e utilizando zooms com a inteligência que ainda marcaria obras-primas como O Jogador, Short Cuts entre outros, MASH é um verdadeiro trabalho de gênio. E... putz grila... Robert Altman... você faz falta.

NOTA: 10

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