A Estrada


Onde os Fracos Não Têm Vez, brilhante adaptação dos irmãos Coen para a obra de Cormac McCarthy, o filme parecia falar sobre o que a humanidade tem de pior em si, e não é a toa que os poucos atos de bondade vistos naquela obra, eram as principais razões para que eles entrassem nas terríveis situações ao longo da história. Em A Estrada acontece o oposto: em meio a total devastação, onde pouquíssimos seres humanos continuam vivos, acompanhamos a jornada de um pai e seu filho rumo ao sul. A obra frisa o que a humanidade tem de melhor em tempos de destruição e morte.

Dirigido por John Hillcoat, do excelente A Proposta, o filme não facilita em nada sua história para o público, criando um visual sufocante e, provavelmente, a mais assustadora visão pós-apocalíptica já feita na história do cinema. Além disso, o diretor demonstra coragem ao não diminuir em nada o clima violento do livro, e a cena em que o pai se depara várias pessoas presas em um porão para serem devoradas dificilmente vai sair da cabeça de quem assistir. Outra decisão inteligente do diretor é mostrar aos poucos a extensão da destruição que toma conta do planeta, utilizando planos gerais cada vez maiores conforme o filme passa.

O roteiro acerta ao manter a simplicidade tocante dos diálogos do livro, como a constante preocupação do filho em saber se eles eram "os caras do bem", e as poucas mudanças feitas (como a participação maior da mãe, vivida por Charlize Theron) se mostram não apenas bem pensadas, como também fundamentais para o tom do filme. Além disso, Nick Cave e Warren Ellis realizam uma trilha sonora absolutamente perfeita, superando até mesmo o belíssimo trabalho feito em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford.

Mas o filme jamais chegaria em sua perfeição se não fosse as performances incríveis dos atores: Viggo Mortensen, ator que desde Marcas da Violência vem se mostrando um dos mais talentosos da atualidade, vive o pai com imensa entrega física e emocional, acompanhado de perto por Kodi Smit-McPhee, que vive o filho com imensa sensibilidade, e acertando em jamais se preocupar em parecer mais maduro do que realmente é (erro comum em personagens mirins desse tipo), se entregando a um choro intenso, por exemplo, logo no início. E além deles, Guy Pearce, Robert Duvall e Michael K. Willians brilham em suas pequenas e marcantes participações.

Angustiante e extremamente emocionante, A Estrada é certamente o filme mais subestimado no Oscar desse ano (já que estreou no ano passado nos Estados Unidos), e se iguala em força e intensidade com outra obra-prima que passou batida a alguns anos atrás: o fantástico Filhos da Esperança

NOTA: 10

4 comentários:

Mateus, O Indolente disse...

Viggo Mortensen é um dos meus atores preferidos da atualidade. Também acho que o Oscar o esqueceu esse ano.

Sua atuação em A Estrada é interessantíssima, seguindo o caminho de outras de suas atuações recentes.

Um bom drama - mas, das adaptações de Cormac McCarthy, prefiro Onde os Fracos Não tem Vez.

Abraço.

Quéroul disse...

quero muito.
só li coisa boa sobre esse filme!
;)

Mari disse...

O filme é maravilhoso, entrou para a minha lista de favoritos....10!

Marconi disse...

excelente! gostei muito da ponta da Charlize theron. Ótima como sempre.
http://cinespaco.blogspot.com/

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