Um Copo de Cólera


Baseado no livro de Raduan Nassar (que também deu origem ao já clássico Lavoura Arcaica), Um Copo de Cólera funciona em dois níveis: como um estudo de personagens entre um casal que parece utilizar o ódio como forma de comunicação e como forma de manter a sua intensa chama sexual acesa. Mas o filme também demonstra de maneira inteligente a velha culpa da classe média brasileira, e os diálogos rebuscados servem de maneira perfeita para ilustrar isto.

Dirigido com inteligência por Aluísio Abranches, o filme é repleto de longos planos contemplativos, e a maneira natural e poética de como encara o sexo entre os protagonistas é outro ótimo fator na obra. Trazendo mais uma grande atuação de Alexandre Borges (o melhor ator do cinema nacional, junto com Marcos Ricca) e Julia Lemmertz, que não apenas trazem a esperada química (já que eram casados na época, hoje em dia já não sei) como também encontram espaço para desenvolverem facetas inesperadas em seus personagens, como o repúdio de um deles pelas formigas, e as risadas diabólicas e provocativas de outro.

Bastante curto (tem pouco mais de uma hora), só é uma pena que o roteiro não tenha encontrado uma maneira mais intrigante de utilizar a ótimo prosa de Nassar, criando cenas em que os atores se confessam para a câmera, algo que surge de maneira abrupta e jamais se torna orgânico na montagem do filme. Mesmo assim, Um Copo de Cólera tem muito mais qualidades (como a ótima trilha de André Abujamra) e tem seu merecido destaque na filmografia nacional.

NOTA: 8

0 comentários:

Real Time Web Analytics