A Órfã


Existem algumas lições que os diretores novatos de filme de terror deveriam aprender. Lembram de O Exorcista, O Bebê de Rosemary, O Iluminado? O que os tornaram tão importantes, tão fortes, tão clássicos? Primeiro, a sutileza: nenhum desses filmes se apresenta desde o início como um filme de terror, aliás, muito pelo contrário. O Bebê de Rosemary começa quase como um filme de Billy Wilder; O Exorcista, como um drama pesado, e O Iluminado como um estudo de personagens em um ambiente claustrofóbico. Nenhum deles usa de sustos baratos ou acordes dissonantes: eles conquistam o público aos poucos.

O que me traz a este decepcionante A Órfã. Qual a necessidade de criar sustos falsos (e artificiais) logo no início, com a tosca cena de um pesadelo, se na cena seguinte já seremos informados sobre ele? A Órfã consegue fracassar em absolutamente todas as cenas em que tenta assustar o espectador. E o que é mais lamentável? É perceber que o filme tinha uma história fascinante, que nas mãos de qualquer roteirista e diretor mais habilidoso, seria uma obra fantástica.

Peter Sarsgaard e Vera Farmiga retratam o sofrimento do casal de maneira sublime, e suas atuações são o que há de mais forte no filme. Já Isabelle Fuhrman é praticamente obrigada a atuar de maneira artificial e estúpida, mas se destaca nas poucas cenas dramáticas em que não precisa fingir que está possuída por algum demônio.

Tecnicamente competente, principalmente a fotografia, A Órfã seria um filme memorável e interessante se conseguisse se levar a sério também como um drama sobre uma família traumatizada pela morte de uma criança, e sua consequente paranóia ao adotar uma criança para "substitui-la". É uma pena, portanto, que a comparação mais óbvia que posso fazer é com bobagens como O Grito.

NOTA: 5

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