O Hotel de Um Milhão de Dólares


Primeiro filme escrito por Bono Vox do U2 (em parceria com Nicholas Klein) e dirigido por Win Wenders, O Hotel de Um Milhão de Dólares é um filme bem intencionado e pretensioso, mas que demora para causar interesse, além de ter um ritmo muito mais lento que o adequado. Além disso, é difícil entender qual a idéia da história: estamos vendo um estudo de personagens marginais em meio a uma situação extraordinária ou acompanhando o personagem de Jeremy Davies em meio ao caos?

Mel Gibson como o "Muito Especial" Agente Skinner é o grande destaque, e chega a ser impressionante que o filme não o considere seu protagonista: agente federal de prestígio e inteligente, aos poucos ele vai revelando não apenas uma interessante insanidade ao conduzir o caso, como também marcas de um passado trágico que mostram como ele entende aquelas pessoas, e não é mera coincidência que as melhores cenas do filme sejam as protagonizadas por ele. Aliás, o simbolismo por trás de seu aparelho para a coluna é interessante: é uma mensagem física de seu desequilíbrio emocional e social.

Wenders dirige com a competência habitual, e visualmente o filme é um espetáculo. Pena que também as diversas tramas paralelas sejam tratadas de maneira quase pedestre, melhorando só depois da metade, que tem muito mais foco e é bem mais direta. Além disso, as atuações embora sejam em sua maioria excelentes, como Peter Stormare e seu "beatle" que imitando John Lennon e citando letras da banda, mal perceba que seus discursos soam quase fascistas, há uma minoria como Amanda Plummer que atua de maneira histérica e arruina suas cenas.

Fechando com uma belíssima ponta de Tim Roth (que merecia muito mais tempo em tela), O Hotel de Um Milhão de Dólares é um bom filme que começa mal e exige muita paciência do espectador. E por mais que eu goste do filme, é difícil recomendá-lo, mas se for fã de Win Wenders, não perca por nada nesse mundo.

NOTA: 6

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