O Grupo Baader Meinhof


Neste filme mais recente do diretor Uli Edel, não interessa somente mostrar um atentado: ele nos mostra o passado da vítima, do assassino, o que houve com eles depois, seu contexto histórico e as consequências na história do filme como um todo. Isso pode comprometer o ritmo da montagem, mas ao final, é inegável que O Grupo Baader Meinhof é uma experiência cinematográfica riquíssima que se esforça ao máximo em não deixar meias palavras ao contar a história do grupo.

Depois de um protesto de estudantes alemães pela visita do Xá do Irã, em meio a guerra do Vietnã e no envolvimento passivo do país perante o comportamento violento de Israel (que é comparado de forma corajosa ao nazismo), a polícia espanca violentamente os manifestantes. Em meio a eles, estava a polêmica jornalista Ulrike Meinhof, que começa a utilizar seu talento para a escrita para a recrutação de jovens revoltados em parceria com Andreas Baader, um terrorista de natureza psicótica (e qual não é?).

Escrito pelo brilhante Bernd Eichinger (que também escreveu A Queda! - As Últimas Horas de Hitler e Perfume - A História de um Assassino), o filme jamais se esquiva de qualquer polêmica e utiliza o contexto histórico com inteligência: o conflito entre Meinhof e a mulher de Baader, por exemplo é utilizado de forma elegante para mostras as mudanças na sociedade com o feminismo (algo também representado pelo número de mulheres no comando de pequenas facções do grupo). Além disso, a ligação do grupo com terroristas do Oriente Médio, que é mostrado de maneira quase cômica serve para mostrar o misto perigoso de alienação, ingenuidade e violência que forma o grupo.

Mais intrigante ainda, é que o único que se mostra de alguma forma sensato perante o caos da situação seja o personagem vivido pelo sempre excelente Bruno Ganz que foi o intérprete de Hitler, a alguns anos. Essa é uma escolha intrigante para mostrar um dos lados mais perigosos da história: se os jovens terroristas alemães se identificam com Che Guevara e Mao Tse Tung, por exemplo, é pela necessidade de combater o que eles consideram como a pequena chama que inicia o nazismo, e a culpa histórica da Alemanha é um dos aspectos mais fascinantes trabalhados na produção.

NOTA: 9

2 comentários:

Elton Telles disse...

Hey Tiago, tudo certo?

Compartilhamos a mesma opinião. Também gostei muito deste filme. O cinema alemão atual vem produzindo pérolas atrás de pérolas nos últimos anos. No entanto, "O Grupo Baader Meinhof" carece um pouco de fluidez, pois como vc mesmo disse, ele abrange excessivamente a história do grupo, desde a formação até o desmembramento. No fim das contas, achei um pouco cansativo e soou um pouco panfletário.

E o que vc disse no final me remeteu a um filme alemão recente chamado "A Onda", tu já deve ter visto. Não é grandes coisas, mas vale a pena ser conferido.


abs!

Tiago Lipka disse...

Olá Elton, tudo certo.

Assisti sim A Onda, o link é http://filmesecigarros.blogspot.com/2009/12/onda.html

Mas não acho que o filme tenha sido panfletário, já que mostrou o grupo de forma bastante negativa, pelo menos pra mim.

Abraço o/

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