O Gângster


Deixei passar este O Gângster graças a meu preconceito contra Ridley Scott. Afinal, matematicamente, as probabilidades indicavam que seria uma porcaria. Ok, ele é o diretor de Blade Runner e do primeiro Alien, mas façamos as contas depois disso: Thelma e Louise? Os Vigaristas? Cruzada? Sim, todos ótimos, mas agora as porcarias: Gladiador, Até o Limite da Honra, Um Bom Ano, Falcão Negro em Perigo, Hannibal... enfim, não tenho dúvidas de que Ridley Scott seja um bom diretor, mas é só lembrar destes "clássicos" para ficar com um pé atrás (tanto que ainda não vi o mais recente Rede de Mentiras, por isso).

Dito isso, O Gângster talvez seja o melhor trabalho do diretor nos últimos anos, e representa um ponto altíssimo em sua carreira. O filme tem seus defeitos? Tem, sim senhor: a trama do policial vivido por Russel Crowe é interessante mas é completamente deslocada (e perder a custódia do filho parece não significar nada para o personagem). Além disso, por mais que seja moralmente duvidoso (e não errado), transformar os policiais liderados por Josh Brolin em vilões de novela das oito atrapalha a curiosa discussão que o filme demonstra da metade para o final.

O que torna O Gângster tão especial? Denzel Washington, numa de suas melhores atuações, encarnando seu personagem com um equilíbrio fenomenal entre honra, credibilidade e impulsos de violência. A idéia de que seu personagem seja um traficante que leva os negócios com uma visão mais 'comercial' só se torna fascinante graças à maneira extraordinária de como o ator nos convence disso.

Aliás, é curioso que uma coisa tenha me incomodado muito durante a primeira hora de filme: ok, então vamos ficar torcendo pelo traficante e ele não sofreu nenhum tipo de racismo? Pois digamos que é bem aí que o filme realmente começa, apresentando cenas fascinantes em sua construção e na sutileza: o jantar de ação de graças que dá lugar a mãe morrendo de overdose ao lado do filho, ou o chefe do FBI que não acredita que um negro tenha superado os italianos no tráfico de drogas, mostrando um racismo covarde e repulsivo são exemplos perfeitos de como a mensagem de O Gângster é direta e poderosa. 

NOTA: 9

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