O Corte


Assim como À Procura de Eric está na carreira de Ken Loach, este O Corte entra para a carreira de Costa-Gavras. Embora o filme tenha uma fortíssima crítica social de fundo, a verdade é que O Corte parece muito mais um filme dos irmãos Coen, do que do mestre do cinema político. E em meio a crise econômica que vivemos, o filme parece destinado a se tornar cada vez mais atual, e não faz nada feio ao lado do também ótimo Amor sem Escalas.

Interpretado brilhantemente por José Garcia, Bruno Davert é um funcionário de uma empresa de papel que é demitido depois de 15 anos. Depois de passar quase dois anos procurando emprego, ele resolve fazer uma jogada ousada: cria uma empresa fictícia da mesma área, começa a pedir currículos, e... decide matar aqueles que ele julga como fortes concorrentes a vaga que ele tanto deseja. Cada vez mais obcecado pela idéia, Davert acaba nem percebendo que está se distanciando cada vez mais de sua família, e logo começam as crises com a esposa e o filho.

Investindo num tom de humor negro exemplar, Gavras consegue trabalhar bem tanto o suspense da história quanto os momentos engraçados, num equilíbrio que lembra justamente a obra dos irmãos Coen. Infelizmente, não acredito que o início do filme precisava usar de flashbacks, se a linearidade da história parecia ser bem mais interessante, e ainda por cima em vários momentos o filme soa quase episódico e previsível, algo que não atrapalha o filme como um todo, mas estraga a diversão em alguns momentos.

Mesmo assim, Costa-Gavras criou mais um belíssimo filme, que ainda surpreende mais quando se torna muito mais dramático do que o esperado no seu ato final (algo que novamente lembra À Procura de Eric), que não é somente imprevisível e divertido, quanto trágico em sua maneira peculiar. 

NOTA: 8,5

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