Longe Dela


Longe Dela é a estréia da talentosíssima atriz Sarah Polley na direção, e ela parece influenciada por dois diretores com quem ela havia trabalhado: utilizando uma estrutura narrativa semelhante a de Atom Egoyan (que a dirigiu em Exótica e O Doce Amanhã) e o forte visual de Isabel Coixet (Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras), é uma pena que cada uma dessas influências anule a outra, e que ao final, Longe Dela seja muito mais memorável pelas impagáveis atuações de Julie Christie e Gordon Pinsent.

A história gira em torno de um casal que depois de 40 anos de casamento é obrigado a lidar com o mal de Alzheimer: enquanto a mulher aos poucos vê a doença piorar cada vez mais, o marido reluta em mandá-la a uma clínica, cuidando dela em casa o máximo que pode. Sem jamais utilizar dramaturgia barata, um ótimo destaque do roteiro é a maneira matura em que lida com a doença, utilizando até mesmo de um surpreendente senso de humor que não apenas é bem vindo, como também é uma grande amostra de segurança por parte de Sarah Polley.

Infelizmente, a diretora não tem o pulso de Atom Egoyan para sustentar a complexa estrutura não-linear, e a sensação é a mesma de Babel ou Kill Bill: a não linearidade não apenas soa forçada como atrapalha nosso envolvimento com a história (mesmo que isso não atrapalhe o filme como um todo, de certa forma).

Julie Christie retrata o sofrimento de sua personagem de maneira sutil e belíssima, e seus melhores momentos são logo no início quando sua doença aparece em momentos triviais, como o incidente da garrafa de vinho. Mas assim como em O Casamento de Rachel, em que a narrativa gira em torno de mulheres, é a forte e sensível figura masculina interpretada por Gordon Pinsent que em uma atuação minimalista e inteligente, carrega o filme e se torna o grande destaque neste belíssimo, mesmo que falho, drama que é Longe Dela.

NOTA: 8

1 comentários:

Mari disse...

Filme lindo. E como chorei... >.<

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