Faces da Verdade


Faces da Verdade conta uma história interessante, e vá lá, até que consegue ser um bom filme durante um tempo. Mas o roteiro depende de uma informação básica, que só é revelada no final, e eu adoraria contar para vocês num baita de um spoiler, mas não vou fazer isso. Mas acreditem: a tal da revelação final me deixou olhando para a TV enquanto eu guardava uma gargalhada, que misturava o reconhecimento de um absurdo ridículo com o arrependimento de ter assistido a essa porcaria inteira.

Logo de início, uma legenda nos avisa que a história é baseada em fatos reais, para um segundo depois mostrar o Presidente dos Estados Unidos sofrendo um atentado em que leva três tiros (cena que, por sinal, não faz o menor sentido de estar lá). Logo depois, por uma notícia de rádio descobrimos que os Estados Unidos, em retaliação ao atentado causou um bombardeio na Venezuela (!!!!!). E é nesse pano de fundo surreal que a história se passa.

O filme conta a história de uma repórter que através de uma fonte, revela em uma matéria a identidade de uma agente da CIA. Como revelar isso é ilegal, o governo logo pressiona a repórter para revelar a sua fonte, mas ela resiste e não conta e vai para a cadeia. Faces da Verdade é uma mistura de thriller político, filme de julgamento e de prisão, e não funciona em nenhum deles. O roteirista e diretor Rod Lurie, dono de uma carreira fraquíssima, dirige o filme como se estivesse fazendo um episódio de Cold Case ou alguma outra série de TV barata. Pior de tudo é ver que Kate Beckinsale, Matt Dillon, Alan Alda e (principalmente) Vera Farmiga atuam com talento e se esforçam para dar veracidade a trama, num esforço infelizmente inútil.

Na verdade, o filme não é tão ruim, mas tem pouquíssimos bons momentos, principalmente quando envolvem a ética do jornalismo perante a pressão do governo, mesmo que não se aprofunde no assunto. Mas a revelação final muda tudo: transforma a jornalista heroína e disposta a abdicar de sua liberdade por algo maior numa retardada sem noção e sem escrúpulos, que quer saber? Merecia ficar até mais tempo na prisão, tamanha a estupidez.

NOTA: 2

5 comentários:

Anônimo disse...

bah, realmente não captaste a importância ética e política que o filme discute...

Anônimo disse...

Substitua Venezuela por Iraque e algumas coisas começam a fazer sentido. Uma pena você não ter captado as entrelinhas do enredo.

Tiago Lipka disse...

Jura que é uma referência disfarçada do Iraque? Como não percebi isso? (Cof, cof, cof...)

Anônimo disse...

Verdade, poderia ter evitado toda aquela confusão, percebe-se que a jornalista se viu motivada pelos louros da denúcia, ainda que a mesmo era verdadeira e usou de má fé para com todos os que estava a sua volta, quando viu o tamanho do 'chifre do boi' já não dava mais para desfazer a merda e ela foi obrigada a aceitar a situação, como ela poderia revelar "a fonte"...seria assinar atestado de loucaaaa!!!

Anônimo disse...

O que me surpreendeu na revelacao da fonte,foi a falta de ética q a jornalista teve...e o filme todo nos leva a apoia- lá por ser ética... q incoerência. ..porcaria mesmo!

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