Encounters at the End of the World


Fascinante desde o duplo sentido no título, que se refere ao espaço e o tempo de maneira devastadora, Encounters at the End of the World oferece uma bela e surpreendente reflexão sobre nossa existência. Se em O Homem-Urso, Werner Herzog utilizou um indivíduo (Timothy Treadwell) que se afastou completamente da sociedade para estudar a relação humana com a natureza, dessa vez ele nos mostra vários indivíduos que mesmo se isolando por motivos diferentes de Treadwell, servem como mais um estudo antropológico e filosófico do diretor sobre as pessoas que moram na Antártida.

Documentarista sensível e brilhante, Herzog realiza entrevistas de maneira única, e uma delas lembra o belo momento de O Homem-Urso quando o diretor consolava uma das entrevistadas, mas dessa vez é com um fugitivo da Cortina de Ferro que mal consegue esconder a emoção ao lembrar do assunto. E o que dizer da entrevista com o mergulhador em seu último dia de trabalho, que em meio a conversa, encontra tempo para refletir de maneira cruel e melancólica sobre a vida dos seres unicelulares na Antártida? Ou o cientista responsável por estudar um iceberg gigante, que mal esconde sua empolgação em seu desejo de que o iceberg vá para o norte?

Mesmo assim, Encounters at the End of the World se mostra ainda mais fascinante quando Herzog deixa claro seu ponto de vista: a civilização como a conhecemos está entrando em colapso, e absolutamente nenhum cientista ou morador daquela região remota acredita que o futuro da raça humana tenha um longo futuro pela frente. Aliás, muito pelo contrário, desde as pequenas revelações que o documentário traz (como a de que a Antártida não é um continente estável), até as comparações de razão-sentimento de nossa espécie com seres unicelulares e até pinguins (num dos melhores momentos do filme) parecem sublinhar a conclusão de Herzog em seu documentário anterior: "a natureza é feita de caos, hostilidade e assassinato".

Brilhante, apocalíptico e muito, mas muito triste, Encounters at the End of the World é um dos documentários mais fascinantes dos últimos tempos, e mais uma vez, não foi lançado no Brasil. Problema que soluciono aqui. Assistam e apreciem.

NOTA: 10

1 comentários:

Quéroul disse...

opa, obrigada!
preciso de Herzog. acho esse homem brilhante.

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