Aconteceu em Woodstock


Imagine que você está indo ao melhor show de todos os tempos, e que a única companhia que você tem para ir nesse show seja a pessoa mais chata que você conhece. Porque digo isso? Porque essa é exatamente a sensação que senti assistindo este Aconteceu em Woodstock. Elliot Tiber é um dos protagonistas mais chatos e aborrecidos que vi nos últimos tempos, e que o ator Demetri Martin se mostre inexpressivo durante todo o filme só piora a situação.

Depois de dirigir o também decepcionante Desejo e Perigo, o diretor Ang Lee mostra mais uma vez sua obsessão pelo fim do sonho americano, representado pelo cinema no fim doa anos 70, como fez no extraordinário Tempestade de Gelo. Infelizmente, aqui ele parece ter realizado um filme que reúne todos os clichês possíveis e imagináveis de uma só vez. Reparem, por exemplo, como o início do filme se preocupa em estabelecer o tempo e o lugar em que a história se passa: primeiro uma matéria de jornal sobre a guerra do Vietnã, depois um soldado que volta do Vietnã que tem que mostrar seu isqueiro em que está escrito... Vietnã.

A fotografia lavada do filme se mostra decepcionante e sem qualquer personalidade, enquanto a direção de arte do filme é soberba. Mas se Ang Lee erra no roteiro e no visual, por outro lado ele continua se mostrando um diretor inteligente, e os vários momentos que alternam em telas duplas vários momentos dos bastidores do festival e outras ações paralelas se mostram ágeis e funcionais, e o que dizer do belíssimo plano-sequência em que Elliot é levado de carona numa moto na estrada para o festival?

E quando digo que o roteiro erra, estou sendo até generoso. O arco dramático de Elliot pode ser interessante, mas é curioso que todos, e estou dizendo TODOS os personagens coadjuvantes do filme se mostrem infinitamente mais interessantes e complexos que o protagonista, algo que não só atrapalha o filme inteiro, como também nosso envolvimento com a história. Por exemplo, o travesti interpretado com talento por Liev Shrieber, e sua amizade com o pai de Elliot é muito mais interessante do que a "descoberta" do protagonista com sua própria sexualidade. Aliás, o festival foi muito mais interessante do que o protagonista, que em 3 dias no show mais biruta de todos os tempos passou um dia numa kombi e outro na lama. 

E a única grande novidade do filme para com a memória do festival? Bem... hippies gostavam de chocolate. Afinal, o que aconteceu em Woodstock, ficou em Woodstock.

NOTA: 4

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