Transamérica


Transamérica é uma comédia dramática inspirada, que trata de um tema delicado de maneira sensível e inteligente. Contando com uma atuação memorável de Felicity Huffman como o/a protagonista, uma mulher transexual que a poucos dias de realizar a cirurgia para troca de sexo descobre que tem um filho de 17 anos que está preso num reformatório em Nova York. Ao encontrar o rapaz, ela não sabe como contar a ele que ela é seu pai, e decide viajar com ele de volta a Los Angeles dizendo ser uma missionária. 

Parte da beleza de Transamérica é como o tema da sexualidade da protagonista é tratado, sempre de maneira direta, as vezes divertida e as vezes amarga. Se ela parece se sentir pouco confortável em meio a outros transexuais, é curioso que ela também não se sinta bem em relação a própria família. O filme parece dar várias pistas de que Bree na verdade não é uma pessoa relutante em encontrar sua própria sexualidade, afinal tem a certeza de que quer se tornar uma mulher, mas reluta em encontrar seu lugar no mundo.

E Felicity Huffman dá um verdadeiro show de interpretação nesse filme: se a tarefa de uma pessoa interpretar uma sexualidade diferente de si mesma já é um grande desafio, o que dizer de uma mulher que interpreta um homem que se torna uma mulher? Com um trabalho corporal inpecável, a atriz convence em todos os momentos, e o fato de ela não ter ganho o Oscar é uma completa injustiça.

Lembrando em tom e forma o igualmente fantástico A Garota Ideal, Transamérica é uma pequena pérola do cinema independente norte-americano, que volta e meia traz estas preciosidades as telas.

NOTA: 10

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