Sindicato de Ladrões


Difícil não relacionar Sindicato de Ladrões com a história do próprio diretor, Elia Kazan, que acusado de delatar companheiros de Hollywood na caça as bruxas do senador Joseph McCarthy, a poucos anos atrás levou uma vaia durante uma homenagem a sua carreira em pleno Oscar, num dos momentos mais vergonhosos da história da premiação. O drama principal desta incontestável obra-prima é justamente o ato de delatar: um sindicato trabalhista nas docas, é controlado pela máfia, e escolhe quem é de seu interesse para trabalhar. Terry Malloy (Marlon Brando) é um capanga do chefão do lugar (Lee J. Cobb) que depois de se tornar cúmplice do assassinato de um amigo, se envolve com sua irmã (Eva Marie Saint) enquanto tenta protegê-la da máfia.

Dizer que Marlon Brando fez aqui um dos grandes personagens de sua carreira é inútil, já que esse ator genial tornou todos os seus personagens inesquecíveis. Mas sua interpretação de Terry Malloy é magnífica, e influenciou muitos atores: Sylvester Stallone certamente foi inspirado para fazer Rocky Balboa, e de certa forma há traços dele em Travis Bickle de Robert DeNiro. Ex-lutador de boxe, condenado a se tornar um mero capanga, Terry é uma figura forte, que intimida as pessoas ao redor, mas ao mesmo tempo parece exibir um comportamento quase infantil: reparem em como Brando em um longo diálogo com uma garota brinca com as luvas dela enquanto caminha.

Porém, essa aparência é logo quebrada na cena em que Terry e seu irmão se confrontam na cena do táxi, uma das cenas mais importantes da história do cinema: ao ser confrontado pelo irmão mais velho (interpretado genialmente por Rod Steiger), Terry se mostra um poço de amargura e culpa, e o enorme ressentimento entre os irmãos é retratado de maneira brilhante tanto pelo roteiro quanto pelas interpretações. A cena, que deveria ser uma cena típica de intimidação de mafiosos, se torna uma cena de amor entre irmãos. E o que dizer do monólogo do padre (vivido com intensidade por Karl Malden) quando um dos trabalhadores é morto num "acidente"?

Contando com um final trágico, e de certa forma bastante pessimista, Sindicato de Ladrões não está a toa nas listas de melhores filmes de todos os tempos. É um filme poderoso, com atuações fabulosas e que serve para mostrar o talento único desse grande diretor que era Elia Kazan, mesmo que ele não fosse o cara mais bacana do mundo...

NOTA: 10

1 comentários:

Misty Seventh disse...

Terry Malloy me lembrou muito do Rocky Balboa,na personalidade e nas atitudes. Mas oque me fez lembrar no mesmo instante do filme do Stallone foi aquela cena do beijo em que eles vão caindo juntos. Enfim. Ótimo filme.

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