Preciosa


Preciosa é um filme com muitos problemas: o diretor Lee Daniels exagera nas cenas de "fantasia", criando um humor involuntário que prejudica demais o primeiro ato. Além disso, por mais que o diretor exiba uma bem vinda elegância nas cenas mais fortes (como uma elipse inesperada no desfecho de uma cena violenta), o excesso de closes nas cenas de Preciosa com a mãe, assim como o excesso de bizarrices da mãe da personagem (a dança na frente da TV é imperdoável) são tão incômodas, como também soam gratuitas.

Felizmente, Preciosa tem uma história tão fascinante que mesmo com seus defeitos, se apresenta como uma obra madura e até inusitada no cinema norte-americano: digamos que o filme tem muito mais de Baixio das Bestas do que o imaginado. A história da adolescente de 16 anos que engravida do pai pela segunda vez, e é indicada para uma escola especial é trágica e, inesperadamente otimista.

Se Lee Daniels se mostra um diretor ainda "verde" para o visual, ele surpreende é na direção de atores: e se Mo'Nique surge interpreta a mãe de Preciosa com uma energia surpreendente e sem qualquer medo de exagerar no over-acting (que se torna fundamental, diga-se de passagem), a jovem Gabourey Sibide se destaca com uma performance corajosa e bastante contida. Vale dizer que até mesmo Mariah Carey surge de maneira espetacular (especialmente no ato final). 

Contando com um roteiro bem estruturado, e que utiliza a narração em off com inteligência (principalmente ao mostrar a dificuldade que a personagem título tem para se concentrar), Preciosa é um filme surpreendente; forte e muito mais trágico do que parece de início, é um desses casos em que a viagem ao inferno que o filme propõe vale muito a pena.

NOTA: 9

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