Os Piratas do Rock


Durante toda sua carreira, Richard Curtis foi um roteirista e diretor que utilizou fórmulas fáceis e divertidas para seus filmes, e não é a toa que por mais que sua filmografia seja artisticamente fraca, é também inegável que é impossível também considerá-la desprezível (como os ótimos Um Lugar Chamado Notting Hill ou Simplesmente Amor). E se em suas obras anteriores o roteiro se destacava muito mais do que sua direção, aqui em Os Piratas do Rock ocorre o contrário em extremo: Curtis dirige o filme com enorme criatividade e um ótimo uso de câmera, enquanto o roteiro decepciona.

O filme, que conta a história de uma rádio pirata que tocava rock 24 horas por dia de um barco para a Inglaterra, é contada de maneira pedestre, sem foco dramático, ou melhor, fazendo do personagem mais desinteressante do filme inteiro o centro das atenções. E logo no início, o filme desperdiça quase dez minutos numa piada envolvendo o garoto perdendo a virgindade numa divertida trapaça, ao invés de contar mais do resto da tripulação.

E que tripulação: Phillip Seymour Hoffman, onipresente e sempre perfeito confere grande energia a seu personagem, e bem acompanhado por Bill Nighy, Rhys Ifans e Nick Frost, enquanto Kenneth Branagh cria um personagem tão cruel e divertido, que chega a ser lamentável que sua trama seja a mais desinteressante da história (até mesmo a ponta de Emma Thompson é mais digna de atenção, por exemplo). Contando com uma surpreendente fotografia (que cria imagens fantásticas no terceiro ato, que envolve um naufrágio), Os Piratas do Rock conta também com uma trilha sonora fabulosa, que não fica devendo à trilha de Quase Famosos, por exemplo.

Apesar de não ser um grande filme, Os Piratas do Rock é tão bom e divertido quanto as obras anteriores de Richard Curtis, com a diferença de ao invés de ser uma comédia romântica tradicional, é bem mais ambiciosa... e tradicional do que o diretor gostaria de admitir.

NOTA: 8

0 comentários:

Real Time Web Analytics