Onde Vivem os Monstros


Desde que vi o belo trailer de Onde Vivem os Monstros, eu tive absoluta certeza de que o filme era algo especial. Não só porque Spike Jonze é um diretor fabuloso, e nem pelo elenco absolutamente perfeito mas pela sensação de que o filme seria uma experiência emocionante. Mas o que eu certamente não esperava, era que eu saíria do cinema comparando o filme com O Espelho, por exemplo.

Assim como o filme de Tarkovski, Onde Vivem os Monstros é uma visão melancólica sobre a infância, sobre a relação entre mãe e filho. O ator mirim Max Records interpreta o garoto de maneira absolutamente perfeita, passando longe da caricatura de "criança que fala como adulto". Tanto que, logo no início, quando Max se entrega a um choro desesperado (e inesperado), o garoto parece exatamente o que é: uma criança absolutamente comum, que chora quando fica triste, pula quando está alegre, grita quando fica bravo e por aí vai.

Logo depois de uma discussão com sua mãe, o garoto foge de casa, e encontra a terra em que vivem os monstros. Mais fascinante do que o design das criaturas, e a belíssima interação delas com Max, é observar como cada um daqueles monstros é um fragmento da personalidade do garoto. E vale a pena comentar a coragem do roteiro ao não se deixar cair na tentação de criar conflitos desnecessários, com direito a vilões e tudo mais, se limitando a explorar de maneira fascinante cada um dos personagens, ou seja, explorando cada aspecto da personalidade de Max com cuidado e sensibilidade.

Onde Vivem os Monstros porém, não irá agradar a todos, já que Spike Jonze parece fazer questão de que o filme tenha um ritmo lento e evita respostas fáceis (o desfecho na ilha das criaturas é brilhante). Mas quem se envolver com esta obra-prima, que é uma das mais injustiçadas no Oscar desse ano, certamente terá uma experiência inesquecível, assim como a que eu tive.

NOTA: 10

1 comentários:

Tiago Ramos disse...

Where the Wild Things Are é provavelmente o filme familiar, mais genuíno, ingénuo e simples que tivemos oportunidade de ver. É uma viagem e tanto para nós adultos, um brilho nos olhos para as crianças. É sobretudo uma vontade incoerente de voltar a tal fase, encontrar um tal sítio de coisas selvagens-

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