O Vídeo de Benny


Lançado em 1992, O Vídeo de Benny foi um dos primeiros filmes do mestre austríaco Michael Haneke, e o mais interessante de assisti-lo é ver que várias características de seu cinema único e extraordinário já estavam presentes no diretor desde cedo, algo curioso. Apesar disso, quem espera algo no nível do resto da carreira do diretor (principalmente os da década passada) ficarão um pouco decepcionados, principalmente por culpa do roteiro. 

Ao contrário de que ocorre em quase toda sua filmografia, Haneke investe pouco tempo no início para apresentar seus personagens, algo que era mais do que fundamental para que mergulhássemos na história: se por um lado admiro a maneira direta como acontece o homicídio logo no início, depois dele  não conseguia parar de me perguntar coisas como: "Mas porque eu deveria ficar surpreso? Eu nem conhecia esse Benny direito". E mesmo que o roteiro esteja repleto de boas sacadas irônicas (principalmente o desfecho), o fato é que o filme perde muito dramaticamente, e quando a mãe de Benny se entrega a um choro forte e repentino, não conseguimos sentir nada a não ser confusão.

Mas não se enganem, porque O Vídeo de Benny não é um filme ruim: tratando do tema da violência nos adolescentes de maneira direta e precisa, a principal idéia da história se mantém intacta e tristemente atual: Benny se transforma em sua persona cinematográfica ao longo do filme, a persona que filma sem qualquer sensibilidade a cruel morte de um porco; a mesma persona que logo depois de matar uma garota da mesma idade, filma-se nu, e se acariciando. Benny não é influenciado pelos filmes violentos, ou pelo jornal, e sim pelo seu vazio existencial, que lembra tragicamente o Patrick Bateman de Psicopata Americano. E mais triste do que perceber que graças aos hormônios, um assassinato nas costas pode não significar tanto, é ver como o triste ciclo da violência atinge todos ao redor de Benny, e de maneira brutal.

NOTA: 8,5

4 comentários:

Ibertson Medeiros disse...

Vou fazer uma maratona Haneke nesses próximos dias. Benny's Video estará na programação.

Anônimo disse...

Sua análise está incorreta.

Luana disse...

Péssima análise

Heriton Oliveira disse...

A singularidade simplista que Haneke propõe no filme atinge seu objetivo áureo na falta de ação e morbidez inanimada do personagem.... sem duvida para o bom crítico a violencia implicita se torna muito mais pertubadora e familiar do que um show de tripas e sangue....

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