O Mensageiro (2010)


Típico filme que é extremamente injustiçado no Oscar, O Mensageiro é uma das melhores surpresas nos cinemas nesse ano de 2010. Escrito e dirigido por Oren Moverman (que foi um dos roteiristas do genial Não Estou Lá), o filme narra a história do soldado Will (Ben Foster), que depois de sérios ferimentos no Iraque, é enviado para a missão do exército de avisar os familiares da morte dos soldados em batalha. Para isso, ele vai com Tony (Woody Harrelson), um capitão que tem experiência nesse tipo de missão.

O que o filme estabelece de maneira brilhante desde o início, é que dar a notícia da morte é uma tarefa tão complexa e repleta de estratégias como a batalha em si, e um dos aspectos mais fascinantes da produção é justamente como o filme ilustra de maneira inteligente e sensível a técnica utilizada pelos soldados. Além disso, O Mensageiro ainda tem em Will, um personagem que lembra muito o protagonista do genial Guerra ao Terror, com a óbvia diferença de que Will parece destinado a encontrar sua redenção (por mais estranha que ela pareça).

Aliás, Ben Foster faz uma performance tão complexa que chega a ser impressionante que a Academia não o tenha sequer indicado ao Oscar, indicando apenas Woody Harrelson (merecidamente, claro), mas o que dizer da pequena e marcante participação de Steve Buscemi, que em pouquíssimo tempo em cena, consegue retratar um personagem dominado pela dor. E se Samantha Morton atua com o talento habitual, é uma pena que seu envolvimento com Will aconteça de maneira tão rápida e artificial, já que a relação entre os dois se mostra um dos pontos mais fortes do fime, posteriormente.

Já o diretor Oren Moverman demonstra uma segurança invejável na construção das cenas, e a maneira como ele utiliza zooms elegantes para longos planos sem cortes é uma marca forte do cineasta. Apostando num desfecho muito mais otimista e cômico do que o espectador possa imaginar (como a cena do casamento, ao final), O Mensageiro é um pequeno grande filme que merecia muito mais indicaçãoes ao Oscar do que obteve, e também merece a nossa atenção.

NOTA: 9

2 comentários:

Dave Coelho disse...

Meu irmão, que filme!
Saindo da sala, eu brinquei que de forma muito concisa (e cretina! mas verdadeira) é uma história que fala de duas das dores mais escrotas da vida de um ser humano: a dor da perda de um ente querido e... a dor de cotovelo!
(Eu chorei na cena do casamento, por Deus).
Sem falar que é um ótimo filme sobre amigos, camaradas, parceiros de trampo e de cachaça.
Sensível pra caramba, engraçado...
Só achei desnecessário o Steve Buscemi indo pedir desculpas, vai. Mas a gente entende que quiseram explorar mais um pouquinho o ator, que é fodástico sempre.
Abração!

Tiago Lipka disse...

Achei linda a cena em que ele vai se desculpar, principalmente pela simplicidade e honestidade dela. =P

Abraço!

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