O Crime do Padre Amaro


Nesta adaptação do clássico romance de Eça de Queiroz, há um grave defeito: o filme julga os personagens, sem se importar com a opinião do público. É como se assistíssemos a interpretação do diretor da história, e ele estivesse ao nosso lado dizendo: "esse padre é safado, mas é bonzinho, aquele parece bonzinho mas é mal" e por aí. Se a idéia do filme é ser assim, eu sinto que não preciso assistí-lo, afinal o diretor já provou tudo para si mesmo.

O Crime do Padre Amaro se salva (por pouco) pelas interpretações do elenco, obviamente (e principalmente) o destaque é Gael Garcia Bernal, que consegue manter a dignidade do personagem, mesmo quando o roteiro o obriga a ser umas 15 pessoas diferentes na mesma cena. Além disso, há um bom arco dramático envolvendo o padre Amaro e um senhor que ele conhece no ônibus, que é mais sutil e bela do que qualquer outro elemento da história. 

Da garota que se masturba pensando em Jesus, passando pela louca dos gatos dos Simpsons, que ganha sua versão religiosa e mexicana aqui, O Crime do Padre Amaro quer muito menos fazer pensar ou emocionar: é uma condenação a Igreja Católica e como ela protege seus padres. Pena que outros filmes fizeram isso com muito mais inteligência e respeito, como Dúvida, por exemplo. E a falta de respeito é o maior pecado de O Crime do Padre Amaro.

NOTA: 3

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