Jean Charles


Se havia uma lição a ser aprendida com a trágica história de Jean Charles, o brasileiro assassinado pela polícia de Londres ao ser confundido com um terrorista, era uma lição sobre a paranóia e a falta de preparação de qualquer autoridade para o fenômeno do terrorismo, transformando qualquer cidadão em potencial suspeito, dependendo de seus hábitos. Infelizmente o filme Jean Charles não apenas fracassa completamente nesse sentido, como é uma das "homenagens" mais nojentas já vistas no cinema.

Vale comentar que o filme consegue errar em coisas absurdas: se Selton Mello ganhou uns quilinhos para viver o protagonista, isso chega a ser imbecil quando o filme mostra uma foto de Jean Charles e ele está magro! Além disso, o roteiro fracassa completamente ao criar empatia dos personagens com o público: se a prima recèm chegada a Londres do protagonista se mostra uma mimada chata e mal-agradecida, Alex, o grande amigo, se mostra um completo imbecil, chegando ao cúmulo de falar no lugar dos pais de Jean Charles no final, algo estúpido e grosseiro.

E por falar em estúpido e grosseiro, o diretor Henrique Goldman mostra os brasileiros como verdadeiros parasitas na capital inglesa, sempre buscando tirar vantagem de todos ao redor, incluindo o protagonista (embora talvez isso não fosse um defeito caso o filme quisesse mostrar a realidade). Além disso, o uso de zooms incrivelmente deselegantes e uma péssima noção de eixo de câmera para os diálogos, mostram um quase amadorismo na parte técnica do filme. 

Jean Charles poderia facilmente ser só um filme ruim, mas não: é desrespeitoso com uma história contemporânea e trágica, e a vontade ao final do filme é muito menos de ver os responsáveis pelo crime presos, e sim os responsáveis pelo filme atrás das grades.

NOTA: 0

0 comentários:

Real Time Web Analytics